11/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Agentes da Umanizzare são presos por corrupção passiva e ativa. Eles recebiam R$ 500 por celular que entrava na cadeia

Publicado em 08 de setembro, 2017

Polícia cumpriu nesta sexta-feira mandados de prisão em nome de Alex William e Cleberson Silva, acusados de participar de esquema para facilitar entrada de aparelhos de celular no presídio do Puraquequara. Foto: Divulgação PC-AM

Os agentes de socialização Alex William Alves Monteiro, 37, e Cleberson Silva dos Santos, 30, da empresa Umanizzare, que administra os presídios de Manaus, foram presos nesta sexta-feira (8), acusados de participar de esquema descoberto de facilitação de entrada de aparelhos celulares na Unidade Prisional do Puraquequara (UPP).

As prisões foram realizadas em cumprimento a mandados de prisão por corrupção passiva e ativa. Segundo investigações realizadas desde a descoberta do esquema, no último dia 2, os agentes cobravam R$ 500 por cada aparelho que entrava no presídio.

O delegado Paulo Benelli, titular do titular do 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), que está à frente da investigação após denúncia confirmada pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap), lembrou que Alex William foi flagrado tentando entrar na UPP com 11 aparelhos celulares e R$ 300 em espécie. Ao todo, dez pessoas foram conduzidas ao 19º DIP no dia 2, por volta das 17h, suspeitas de integrar o esquema e um inquérito foi instaurado.

“Desde o dia em que foram conduzidos, no último sábado, passamos a ouvir agentes, ex-agentes e servidores da Seap. A partir daí começamos a trilhar investigação que chegou à participação efetiva desses dois, não só no ingresso de material dentro do presídio, mas também com corrupção ativa e passiva. Acreditamos numa organização criminosa com divisão sistemática de tarefas e hierarquia. Estamos apurando também se há ligação com alguma facção criminosa”, disse o delegado.

Benelli explicou que ainda estão apurando se os agentes e os envolvidos levavam outros itens ilícitos, como drogas e armas. Ele contou que os agentes ligavam para os familiares dos detentos e para verificar se eles precisavam de celulares e, então, os familiares procuravam os agentes corruptos. “Se os parentes quisessem, era R$ 500 por celular para poder realizar o ingresso (na UPP). Um outro agente de socialização passava para buscar o dinheiro e o celular. O agente entrava com o aparelho porque era isento de revista”, disse o delegado.

Para o delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Ivo Martins, a organização será desmontada e quem estiver cometendo este crime pode ter certeza que será preso. “Vamos prender um por um. Nosso empenho é para desbaratar essa organização. A preocupação com o sistema prisional é muito grande”, falou.

Em decorrência das diligências os mandados de prisão preventiva foram representados à Justiça e expedidos no último domingo, dia 3, pela juíza Careen Aguiar Fernandes, no Plantão Criminal.

De acordo com a autoridade policial, as prisões contaram com o apoio de servidores do Departamento de Inteligência Penitenciária (Dipen), da Seap. Alex William foi preso por volta das 10h, em um prédio comercial na avenida Jacira Reis, bairro Dom Pedro, zona Centro-Oeste. Já Cleberson foi detido na casa onde morava, na rua Barcelos, comunidade Nova Conquista, bairro Tancredo Neves, zona Leste.

Alex e Cleberson serão indiciados por corrupção passiva e ativa. Ao término dos trâmites legais, os infratores devem ser levados ao Centro de Detenção Provisória Masculino (CDPM), onde irão permanecer à disposição da Justiça.

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