Em entrevista, se depender do petista José Ricardo, partido não se junta a ninguém no segundo turno

Fazendo campanha com poucos recursos e a militância petista, José Ricardo conseguiu os votos de 12,38% do eleitorado do Amazonas. Decisão sobre rumos no segundo turno será anunciada neste sábado. Foto: Divulgação

Com quase 180 mil votos obtidos no primeiro turno das eleições suplementares ao Governo do Estado, o petista e deputado estadual José Ricardo tem recebido, desde o resultado do pleito, convites para se juntar ao grupo de Eduardo Braga (PMDB), repetindo, talvez, uma aliança já vista em outras disputas.

No entanto, há forte tendência tanto do PT e especialmente de José Ricardo, que conquistou 12,38% do eleitorado amazonense, de “olhar para frente e não para trás, não aderindo a figuras que deixaram o Amazonas chegar a este ponto”. Para bom entendedor, não olhar para trás é não se aliançar com políticos que já passaram pelo poder estadual, como é o caso dos dois candidatos que estão no segundo turno, Braga e Amazonino Mendes (PDT).

Em entrevista ao Portal do Marcos Santos, José Ricardo afirma que o sentimento na base do partido, que ajudará a tomar a decisão, a ser anunciada neste sábado (12), às 9h, na sede do Sindicato dos Petroleiros, no Centro, é do partido se manter com projetos e propostas próprios, visando uma candidatura para 2018, diante da animação construída com o resultado do primeiro turno. “O caminho é esse. Ficamos muito animados com a votação, com exceção de alguns nomes ligados à CUT (Central Única dos Trabalhadores), que apoiaram Braga”, fala o deputado.

Questionado sobre pressões político-partidárias sofridas por siglas da esquerda, que naturalmente são remanescentes na defesa do PT, como é o caso do PCdoB, tendo à frente a senadora Vanessa Grazziotin, o petista avisa que ainda estão em processo de discussão no partido, uma prática de ouvir a todos. O ex-deputado estadual Eron Bezerra ligou para José Ricardo para tratar de apoio ao PMDB, mas tudo dependerá da decisão coletiva, ou seja, disse nem sim nem não.

Durante a entrevista, perguntado sobre o apoio do PT ao PMDB, o candidato que ficou em quarto lugar diz que a aliança nacional entre as siglas se desfez com o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. “Quando a aliança foi feita no Amazonas, o PT local decidiu apoiar o PMDB, mas sempre com voto contrário meu. Assim como aconteceu quando o partido deu apoio a candidatos como Alfredo Nascimento (PR) e Omar Aziz (PSD). Mas agora conseguimos ter um momento próprio, sem ter uma aliança”.

E o PT com José Ricardo foi para as ruas com a militância, fazendo história com poucos recursos, criatividade e a determinação, como no uso da clássica Kombi para realizar os minicomícios pela cidade. “Temos que trabalhar esta trajetória e seguir com a prática e o discurso de combate à corrupção. As campanhas precisam melhorar para o eleitor, que precisa votar. Eleição não é para fazer negócios. O PT também errou quando começou a usar o mesmo estilo de financiamento de campanha que a Lava Jato mostrou ao Brasil”, afirmou.

Resta saber se José Ricardo não será voto vencido. “No partido você se submete ao que a maioria decidir. Antes, quando o PT apoiou Braga, mesmo com voto contrário, fui obrigado a apoiar, mas não me envolvi na campanha. Respeitei a decisão da maioria. Agora finalmente fizemos uma campanha própria, uma trajetória protagonista. Lula (ex-presidente) foi quatro vezes candidato até ganhar a primeira vez”, recorda.

Sobre 2018, o petista garante que sairá candidato, mas não sabe a qual cargo (ou não quis adiantar agora), o que dependerá de reuniões do PT e seminários para discutir, antes, um projeto de plano de governo. “Temos o candidato a presidente, que é o Lula. Quem foi para a rua pedir a saída da Dilma, hoje está envergonhado. Botou o pior no Governo, o Michel Temer e sua quadrilha”, desconversa.

E seja quem for governador, o petista manda o recado: “meu papel como cidadão e político será de cobrar realizações para um Amazonas melhor”.

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