02/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Defensoria e Procon AM pedem prisão da diretoria do Sindicato dos Rodoviários

Publicado em 26 de junho, 2017

Defensor público Carlos Almeida Filho afirmou que os órgãos de defesa do consumidor vão acompanhar situação durante o dia. Foto: Divulgação

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) e o Procon Amazonas entraram com petição, junto ao Tribunal Regional do Trabalho da 11º Região, em que solicitam a prisão da diretoria do Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários do Amazonas por descumprimento de ordem judicial e das normas que disciplinam movimentos grevistas.

A petição foi assinada na manhã desta segunda-feira (26), na unidade da DPE-AM na rua 24 de Maio, Centro de Manaus, pelo titular da Defensoria Pública Especializada de Atendimento de Interesses Coletivos (DPEAIC), defensor Carlos Almeida Filho, e a secretária executiva do Procon Amazonas, Rosely Fernandes.

Durante entrevista coletiva, o defensor público Carlos Almeida Filho afirmou que a greve promovida pelo Sindicato dos Rodoviários, que surpreendeu a população de Manaus na manhã desta segunda-feira, é considerada ilegal por ter descumprido normas que disciplinam o movimento grevista para os serviços públicos essenciais.

Entre as normais estão, por exemplo, a proibição de paralisar 100% da frota e a exigência de que a população afetada seja avisada do movimento de greve no prazo de 48 horas de antecedência. A greve prejudicou milhares de trabalhadores e estudantes, entre outros usuários do sistema de transporte público urbano.

“Nós não somos contra o legítimo direito de greve, que é um direito de qualquer trabalhador. O problema é que quando envolve serviço público, como transporte coletivo, coleta de lixo, fornecimento de água e energia, a greve precisa de aviso prévio prestado à população e, mesmo assim, estes serviços não podem parar totalmente”, afirmou Carlos Almeida Filho, ao destacar que a petição ajuizada hoje solicita habilitação da DPE-AM e do Procon Amazonas no processo de dissídio coletivo que envolve o Sindicato dos Rodoviários e o Sinetram.

Além do pedido de habilitação da DPE-AM e Procon Amazonas, como “litisconsortes ativos” no dissídio coletivo, a petição noticia o flagrante descumprimento, por parte da direção Sindicato dos Rodoviários, da decisão judicial que proibia a greve e requer a aplicação de medidas constritivas por conta do grave prejuízo à população de Manaus. “Dado que a astreinte (multa diária imposta por condenação judicial) fixada por este juízo não foi suficiente para evitar a paralisação de 100% da frota, por obra do próprio sindicato, requer seja imediatamente expedido mandado de prisão por desobediência”, diz trecho da petição.

Mesmo com o anúncio de que parte da frota retornaria às ruas no fim da manhã, os órgãos que atuam em defesa do direito do consumidor compreendem que a petição é necessária. “A Defensoria já fez outras vezes esse pedido de prisão em nome do interesse da população, inclusive no início do ano, passamos por situação semelhante e nós também entramos com medida cautelar para prender os responsáveis”, explicou o defensor Carlos Almeida Filho.

A secretária executiva do Procon Amazonas, Rosely Fernandes, adiantou que serão promovidas audiências com os envolvidos no dissídio coletivo, com o objetivo de buscar soluções para os conflitos entre trabalhadores e empresários do transporte público, bem como para que a população não volte a ser prejudicada.

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