
O inquérito também concluiu que a rebelião foi resultado da rivalidade entre duas facções criminosas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Família do Norte (FDN). Foto: Erlon Rodrigues/PC-AM/Divulgação
Vinte e duas pessoas tiveram participação nas mortes dos quatro detentos e nas tentativas de homicídios de mais sete internos da Cadeia Pública Desembargador Raimundo Vidal Pessoa (CDRVP), no Centro de Manaus. Os crimes ocorreram no dia 8 de janeiro deste ano. Essa foi a conclusão do Inquérito Policial (IP) que apurou a autoria e as circunstâncias das mortes, enviado à Justiça Pública do Estado na última terça-feira (28/03).
O delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Amazonas, Ivo Martins, revelou que as investigações concluíram que a rebelião na Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa ocorreu por rivalidade entre duas facções criminosas, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Família do Norte (FDN), que atuam no Estado e buscavam ter o domínio dentro dos presídios em Manaus.
Ao longo das investigações ficou constatado que a rebelião iniciou quando quatro membros do PCC tentaram invadir a cela cinco, do pavilhão B, onde se encontravam três detentos considerados dissidentes da facção FDN, além do preso Tássio Caster de Souza. “No dia do fato, um dos membros do PCC simulou estar passando mal. Com esse evento eles conseguiram que várias celas fossem abertas, menos na de número cinco onde estavam os quatro internos. Como os integrantes do PCC não conseguiram invadir a cela, eles atearam fogo em colchões em frente à cela dos quatro internos. Tássio Caster morreu em decorrência da inalação de fumaça”, disse o delegado-geral adjunto.
Ivo Martins explicou que, como os membros do PCC não conseguiram entrar na cela cinco, outros três detentos, identificados como Fernandes Gomes da Silva, o “Pedra”; Rubiron Cardoso de Carvalho, o “Pato”, e Rildo Silva do Nascimento, foram mortos e decapitados. “No transcorrer das investigações foram tomados vários depoimentos e realizadas pericias técnicas no local do crime que viabilizaram a conclusão do IP levando a autoria dos homicídios e tentativas de homicídios”.
O delegado destacou que das 22 pessoas identificadas como autoras dos delitos, duas delas, Arlisson Matos Pereira, que era conhecido como “Barbinha”, e Edgar de Souza Ribeiro, chamado de “Diga”, foram encontradas mortas na tarde do último dia 26 de fevereiro, no ramal do Tabosa, Comunidade Tarumã-Açu, bairro Tarumã, zona Oeste. Os dois infratores, juntamente com Jones dos Remédios Martim, conhecido como “Bactéria”, e mais nove detentos que estavam custodiados na CPDRVP, fugiram da unidade prisional na noite do dia 25 de fevereiro deste ano. “Bactéria” ainda está foragido.
Os 20 autores dos delitos foram indicados pelos crimes de homicídio qualificado, tentativa de homicídio, motim e vilipêndio de cadáver.
Grupo de trabalho
O Secretário de Segurança Pública do Amazona, (SSP-AM), Sérgio Fontes, determinou a criação de um grupo de trabalho, para investigar as mortes dos detentos do Sistema Prisional do Estado, que ocorreram no início do ano corrente na capital. Os trabalhos são realizados pelos delegados Tarson Yuri Soares, Rodrigo de Sá, titulares, respectivamente, da 4ª Seccional Oeste e 20º Distrito Integrado de Polícia (DIP), delegado Rodrigo Azevedo, adjunto da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), e pela delegada Emília Ferraz, que atuou como coordenadora do grupo, juntamente com delegado-geral adjunto da Polícia Civil do Amazonas.
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