20/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Chacota internacional

Publicado em 23 de dezembro, 2016

Sem nenhuma indicação de filme nacional, este ano o Brasil estará de fora, na categoria “filme estrangeiro”, da requintada premiação do Oscar. Não que faltem assuntos para inúmeros roteiros, inclusive os baseados em fatos reais que repercutem revanchismo, perseguição, vingança e represália, pois inspiração para dramas, investigações, catástrofes, policiais com gangsteres, comédias, traições politicas e romantismo tragédia, entre outras, tem de sobra.

Se não vai estar presente ao circuito norte-americano da sétima arte, pelo menos já ganhou a capa do “Pasquim europeu”, o jornal satírico francês “Charlie Hebdo” teria publicado, recentemente, uma reportagem fazendo alusão ao impasse entre o Congresso, o Planalto e o STF, com o título à Corte. Mais direto impossível, não precisa nem de tradutor. Tudo bem ao estilo da política brasileira, a capa (de acordo com o boatos.org) também é falsa.

No capítulo seguinte da inédita obra-prima “Delações do fim do mundo”, os três poderes estão envolvidos num terremoto que não há a menor possibilidade de ser medido pela escala Richter, que vai até dez e esta delação contém 800 depoimentos feitos por 77 executivos da Odebrecht envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras e que apresentam provas, declarações, indícios do envolvimento de 200 políticos de 18 partidos políticos diferentes.

Numa cena de forte dramaticidade o relator da Lava Jato no STF, Teori Zavascki sai com esta: “É preciso cumprir a decisão”, em favor da saída de Renan Calheiros da presidência do Senado. Isso foi sua fala na terça-feira, dia 6/12. No dia seguinte, quarta-feira (7), o STF votou pela permanência do presidente do Senado no cargo. O que será que aconteceu entre os dois momentos?

O conteúdo dessa delação é tão devastador que os documentos estão guardados, de acordo com a assessoria de imprensa do STF, na sala-cofre da sede daquele tribunal, onde foi arrumado, no dia anterior, uma solução jurídica para um problema político. Para uns, uma saída engenhosa. Para outros, um mero ardil com aparência de “jeitinho”. A Revista Época foi nessa linha: “O acordo entre o Supremo, o Planalto e o Congresso nacional para salvar o réu Renan Calheiros uniu Brasília, mas feriu as instituições. Valeu a pena??”.

De forma jocosa, os delatados receberam apelidos que, na maioria das vezes refletem a pior expressão do alcunhado. Estão entre eles nomes que até bem pouco tempo posavam como baluartes da justiça, verdadeiros paladinos da democracia, figuras políticas de conduta ilibada, valorosos homens públicos defensores da transparência e da coisa certa.

Na realidade, por detrás das câmeras, quando se apagavam os holofotes, revelavam-se os piores e inimagináveis inimigos da Nação. Transvestidos de defensores dos bons costumes vendiam a ilusão das telas com pseudônimos dignos dos piores presídios do mundo, tais como Decrépito, Boca Mole, Primo, Justiça, Avião, Comuna, Goleiro, Cerrado, Angorá, Justiça, Ferrari, Tuca, Viagra, Atleta, Escritor, Campari, Todo Feio, Nervosinho, Índio, Polo, Las Vegas, Botafogo, Gremista, Caranguejo, Campari, Gripado, Bitelo, Babel, Grego, Eva, Alemão, Drácula, Diplomata, Moleza, Misericórdia, Velhinho, Primo, Caju, Pastor, Feia, Lindinho e por aí vai.

Agora que o STF recebeu as confissões dos 77, só em fevereiro, quando terminar o recesso do Judiciário, saberemos se o ministro Teori Zavascki vai homologá-las ou invalidá-las. Saberemos também se o Brasil tem mais mocinhos ou bandidos.

 

*Auditor fiscal e educador.

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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