07/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fast e Santarém

Publicado em 27 de outubro, 2016

FAST –  Há tanto tempo meu time não ganhava um campeonato que a conquista do último sábado despertou a fina ironia da jornalista Baby Rizzato e ela me alfinetou: “Valois, eu pensei que o Fast não existia mais”. Tudo indicava, mas parece que o Rolo Compressor tem alguma ascendência oriunda da lendária Fênix e conseguiu ressurgir das cinzas em que se transformou o futebol amazonense, ao longo das últimas décadas. Lembro-me dos dois últimos títulos, nos longínquos anos de 70 e 71 do século passado. Foram, respectivamente, o derradeiro do Parque Amazonense e o primeiro do Vivaldão. Estava eu presente em ambas as ocasiões e vi meu clube fechar os portões do velho estádio de Adrianópolis, do qual só resta a efígie de um cavalo, no que era seu portão principal, reminiscência da época (por mim não vivida) em que ali funcionou um hipódromo. Vi-o também erguer a primeira taça no estádio Vivaldo Lima, que a irresponsabilidade, a incúria e a ganância conseguiram botar abaixo com tão pouco tempo de duração. Em nome, talvez, de uma duvidosa modernidade, invocação que é recidiva no caminho para o enriquecimento rápido. E ilícito, diria eu. Por que não?

Velhos tempos em que, sucedendo a genialidade futebolística de Paulo Onety, os irmãos Piola encantavam a torcida, levando-a ao delírio com o inevitável refrão: “Fast, sempre Fast/Uma vez Fast até morrer”. Zequinha (que infelizmente já se foi) e Antônio, na zaga, muravam a defesa, enquanto Edson, na linha de frente, levava o terror à trave adversária. Era o futebol no seu mais alto nível, aquele que dá gosto de ver, porque impecável. Jogado “com lealdade, com galhardia”, tal como recomenda o hino do atual campeão amazonense.

Tudo mudou. E para pior. Desapareceram os grandes clássicos e, com eles, sumiram também os espectadores. Estádio cheio em jogo do campeonato local é quase tão impossível quanto um filme de faroeste sem cavalo e sem revólver. Ou comer jaraqui sem farinha e tomar tacacá sem tucupi. Eu mesmo, cuja paixão pelo Fast está registrada em cartório e proclamada aos quatro cantos do mundo, não me aventurei a comparecer a nenhum jogo. Nem à finalíssima, sendo que o amor da verdade me obriga a dizer que a ausência nesse jogo específico se deveu ao medo de um novo fracasso, qual aconteceu ao longo de quarenta e cinco anos. Torci de longe, pela internet, e, ao final, vitorioso, vibrei com a mesma emoção e a mesma alegria de quase meio século atrás. Já está garantido que a Sede, neste sábado, será palco de comemoração tricolor, com a bandeira do Rolo compressor devidamente hasteada.

SANTARÉM – Mudo de assunto. Não posso deixar de lembrar a visita que recentemente fizemos, minha mulher e eu, ao município paraense de Santarém. Foi um passeio deslumbrante em que a beleza das águas do Rio Tapajós encheu nossos olhos de um encanto tipicamente amazônico.

Primeiro, o balneário de Ponta de Pedras. As areias alvíssimas parecem se estender ao infinito e o verde do rio, com o vento e o banzeiro constantes, obriga o visitante a provar da água para se assegurar de que não se vai banhar em líquido salgado de oceano. É deveras impressionante. É da preferência dos gentios um peixe minúsculo, conhecido como “charuto”, espécie de sardinha em miniatura, que, devidamente torrado, é o complemento ideal para a cerveja gelada.

Em Alter do Chão o espetáculo se repete, aqui entremeado por dunas e lagos que se espalham por quilômetros de praias, propiciando às gentes uma visão grandiosa da imensidade continental da Amazônia.

Na sede do município, empolga o encontro das águas do Amazonas e do Tapajós, monumento natural que nos deslumbra até mesmo a nós manauaras, acostumados com o fenômeno aqui ocorrente com o majestoso Rio Negro.

Tudo isso não teria sido tão fascinante se não tivéssemos desfrutado de uma vantagem adicional: a companhia de Natália Costa. Foi minha aluna no curso de direito da Universidade Nilton Lins e hoje advoga em Santarém. Desde aquela época, dei-lhe o título de “minha paraense predileta”. Jovem, bonita, agradável, Natália foi um poço de gentilezas, desdobrando-se em mimosear o casal de velhos com indicações e preferências escolhidas a dedo. O passeio, já de si agradabilíssimo, ganhou outras e mais vívidas cores. Não tenho como retribuir a fineza de “mocoronga” tão gentil. Por elementar questão de educação, é meu dever deixar-lhe aqui, publicamente, o nosso muito obrigado.

 

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Felix Valois

* Félix Valois é advogado, professor universitário e integrou a comissão de juristas instituída p...

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.