FAST – Há tanto tempo meu time não ganhava um campeonato que a conquista do último sábado despertou a fina ironia da jornalista Baby Rizzato e ela me alfinetou: “Valois, eu pensei que o Fast não existia mais”. Tudo indicava, mas parece que o Rolo Compressor tem alguma ascendência oriunda da lendária Fênix e conseguiu ressurgir das cinzas em que se transformou o futebol amazonense, ao longo das últimas décadas. Lembro-me dos dois últimos títulos, nos longínquos anos de 70 e 71 do século passado. Foram, respectivamente, o derradeiro do Parque Amazonense e o primeiro do Vivaldão. Estava eu presente em ambas as ocasiões e vi meu clube fechar os portões do velho estádio de Adrianópolis, do qual só resta a efígie de um cavalo, no que era seu portão principal, reminiscência da época (por mim não vivida) em que ali funcionou um hipódromo. Vi-o também erguer a primeira taça no estádio Vivaldo Lima, que a irresponsabilidade, a incúria e a ganância conseguiram botar abaixo com tão pouco tempo de duração. Em nome, talvez, de uma duvidosa modernidade, invocação que é recidiva no caminho para o enriquecimento rápido. E ilícito, diria eu. Por que não?
Velhos tempos em que, sucedendo a genialidade futebolística de Paulo Onety, os irmãos Piola encantavam a torcida, levando-a ao delírio com o inevitável refrão: “Fast, sempre Fast/Uma vez Fast até morrer”. Zequinha (que infelizmente já se foi) e Antônio, na zaga, muravam a defesa, enquanto Edson, na linha de frente, levava o terror à trave adversária. Era o futebol no seu mais alto nível, aquele que dá gosto de ver, porque impecável. Jogado “com lealdade, com galhardia”, tal como recomenda o hino do atual campeão amazonense.
Tudo mudou. E para pior. Desapareceram os grandes clássicos e, com eles, sumiram também os espectadores. Estádio cheio em jogo do campeonato local é quase tão impossível quanto um filme de faroeste sem cavalo e sem revólver. Ou comer jaraqui sem farinha e tomar tacacá sem tucupi. Eu mesmo, cuja paixão pelo Fast está registrada em cartório e proclamada aos quatro cantos do mundo, não me aventurei a comparecer a nenhum jogo. Nem à finalíssima, sendo que o amor da verdade me obriga a dizer que a ausência nesse jogo específico se deveu ao medo de um novo fracasso, qual aconteceu ao longo de quarenta e cinco anos. Torci de longe, pela internet, e, ao final, vitorioso, vibrei com a mesma emoção e a mesma alegria de quase meio século atrás. Já está garantido que a Sede, neste sábado, será palco de comemoração tricolor, com a bandeira do Rolo compressor devidamente hasteada.
SANTARÉM – Mudo de assunto. Não posso deixar de lembrar a visita que recentemente fizemos, minha mulher e eu, ao município paraense de Santarém. Foi um passeio deslumbrante em que a beleza das águas do Rio Tapajós encheu nossos olhos de um encanto tipicamente amazônico.
Primeiro, o balneário de Ponta de Pedras. As areias alvíssimas parecem se estender ao infinito e o verde do rio, com o vento e o banzeiro constantes, obriga o visitante a provar da água para se assegurar de que não se vai banhar em líquido salgado de oceano. É deveras impressionante. É da preferência dos gentios um peixe minúsculo, conhecido como “charuto”, espécie de sardinha em miniatura, que, devidamente torrado, é o complemento ideal para a cerveja gelada.
Em Alter do Chão o espetáculo se repete, aqui entremeado por dunas e lagos que se espalham por quilômetros de praias, propiciando às gentes uma visão grandiosa da imensidade continental da Amazônia.
Na sede do município, empolga o encontro das águas do Amazonas e do Tapajós, monumento natural que nos deslumbra até mesmo a nós manauaras, acostumados com o fenômeno aqui ocorrente com o majestoso Rio Negro.
Tudo isso não teria sido tão fascinante se não tivéssemos desfrutado de uma vantagem adicional: a companhia de Natália Costa. Foi minha aluna no curso de direito da Universidade Nilton Lins e hoje advoga em Santarém. Desde aquela época, dei-lhe o título de “minha paraense predileta”. Jovem, bonita, agradável, Natália foi um poço de gentilezas, desdobrando-se em mimosear o casal de velhos com indicações e preferências escolhidas a dedo. O passeio, já de si agradabilíssimo, ganhou outras e mais vívidas cores. Não tenho como retribuir a fineza de “mocoronga” tão gentil. Por elementar questão de educação, é meu dever deixar-lhe aqui, publicamente, o nosso muito obrigado.
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* Félix Valois é advogado, professor universitário e integrou a comissão de juristas instituída p...