
O brilho de Caprichoso e Garantido está seriamente ameaçado
O governador José Melo confirmou hoje (24/05), em reunião com os presidentes dos bumbás Caprichoso, Joilto Azedo, e Garantido, Adelson Albuquerque, que não haverá verba estadual para o Festival Folclórico de Parintins. “Vamos tentar um convênio federal, no valor de R$ 15 milhões, que está sendo negociado pelo senador Omar Aziz”, disse Melo. O discurso é o mesmo que foi apresentado para os dirigentes da Ciranda de Manacapuru e do Festival da Canção de Itacoatiara (Fecani), sem que nenhum centavo tenha sido obtido.
O prefeito Alexandre da Carbrás, que também queria participar da reunião, no lugar de reivindicar recursos para os bumbás tinha nas mãos o pedido de R$ 1,4 milhão para realizar o Festival de Quadrilhas, que antecede a festa propriamente dita. Foi impedido de participar pelos presidentes. “Essa festa custava R$ 100 mil, nos anos anteriores”, disse o ex-prefeito Bi Garcia.
Estavam presentes na reunião, que durou até o começo da tarde, na sede do Governo do Estado, os deputados estaduais Josué Neto, presidente da Assembleia Legislativa, David Almeida, líder do governo na Casa, Bosco Saraiva, presidente da Comissão de Cultura, Cabo Maciel e os parintinenses Bi Garcia, ex-prefeito da cidade, e Sabá Reis. Todos apelaram, com diversos argumentos, como a lembrança de que o Festival é, praticamente, a única atividade econômica de Parintins, responsável por movimentar a economia municipal o ano inteiro, mas nem assim o governador se sensibilizou.
Os presidentes dos bumbás saíram estupefatos. No fundo, nenhum deles acreditou que o fim dos repasses era para valer. Adelson Albuquerque teria dado ordem para parar, de imediato, todos os galpões do Garantido. Joilto Azedo ficou de reunir os artistas do Caprichoso para construir em conjunto uma solução.
Estrutura
A máquina do Festival Folclórico, este ano marcado para os dias 24, 25 e 26 de junho, começa a ser movimentada em janeiro. Em fevereiro, por exemplo, a Azul Linhas Aéreas começou a vender pacotes, com passagem aérea, hospedagem e ingresso para a festa, em todas as suas agências de viagens. A empresa anunciou que faria 100 voos extras, entre 18 e 29 de junho, com aviões de 118 assentos.
A Tucunaré Turismo, que construiu em Parintins o hotel Amazon River, padrão três estrelas, comprou antecipadamente todos os ingressos e camarotes do Bumbódromo. O valor foi adiantado aos dois bumbás. É com esse dinheiro que ambos iniciaram a preparação para o Festival.
Patrocínio em queda
O que mais desanima os dirigentes de Caprichoso e Garantido é a queda do valor de patrocínio privado. Veja a tabela abaixo, que mostra o que cada empresa pagou em 2015 e vai pagar em 2016. O valor é o total dos dois bois:
Vivo, pagou R$ 500 mil em 2015 e este ano saiu;
Eletronorte, era R$ 500 mil e será R$ 350 mil;
Whirlpool, R$ 150 mil para R$ 20 mil;
Correios, R$ 500 mil para R$ 100 mil;
Coca-Cola, R$ 1,519 milhão para cada bumbá e mais o índice de inflação do ano. Este ano só pagará R$ 1,250 milhão para cada. Os bumbás perderam aí R$ 400 mil cada um.
O total da verba de patrocínio para cada bumbá, este ano, até agora, é de R$ 1,545 milhão. O valor arrecadado, em anos anteriores, incluindo o repasse governamental, chegava a R$ 8 milhões. A única garantia de José Melo é quanto à segurança, com policiamento para a cidade.
Nota do prefeito Alexandre da Carbrás
Sobre a matéria publicada no Portal do Marcos Santos, com o título “Governador diz ‘não’ a presidentes de bumbás e deputados estaduais e confirma fim da verba para Festival de Parintins”, o prefeito de Parintins, Alexandre da Carbrás, esclarece que foi convidado a participar do encontro, para buscar sensibilizar o Governo do Estado quanto à importância do Festival Folclórico de Parintins, e que em momento algum fez pedido de recursos para realizar o Festival de Quadrilhas, conforme citado pelo site. A festa das quadrilhas acontece nos dias que antecedem a disputa de Caprichoso e Garantido, na arena, abrindo as atrações do festival folclórico.
“Desde o início do anúncio do governo, de que não faria o repasse aos bumbás, por falta de recurso em razão da crise, me coloquei à disposição, como autoridade municipal, para ajudar no que fosse preciso, para não comprometer a realização do evento, que além da tradição de 51 anos, envolve a economia, o turismo, fomenta empregos e gera renda em Parintins. Muitos querem aproveitar o momento para gerar fatos políticos, aproveitando uma situação de dificuldade para os bois para criar as famosas picuinhas. Fui ao encontro do governador José Melo para reforçar o pedido de ajuda, e para me colocar à disposição, como fiz em Parintins, recebendo os presidentes dos bois no último domingo”.
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