Assumir desafios de transformação numa cidade como Manaus, cheia de contradições e com uma população tão heterogênea, é no mínimo uma tarefa difícil.
Temos a felicidade de estar no coração da Floresta Amazônica sem, entretanto, termos uma identidade ligada a essa floresta, nem um sentimento de responsabilidade coletiva sobre suas riquezas e belezas. Crescemos num ambiente urbano desordenado, marcado pela ausência de políticas públicas voltadas para a preservação de igarapés, áreas verdes e rios.
Bairros inteiros se formaram a partir de invasões e hoje são verdadeiros labirintos, emaranhados de problemas sociais e ambientais. Décadas de destruição e um passivo ambiental difícil de administrar.
É o que temos para hoje: uma cidade onde a população ainda teima em manter ruas sujas com o lixo descartado irregularmente seja da janela do carro, do ônibus ou em lixeiras viciadas; sofás, geladeiras, fogões, pneus lançados diretamente nos igarapés e o desrespeito ao espaço público, triste e notório.
Nesse contexto, parabenizo o esforço desenvolvido por um órgão municipal, de estrutura e orçamento limitados, que vem, teimosamente, remando contra a maré. Refiro-me à Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), que, apesar das dificuldades, não foge à luta na sua responsabilidade de implementar políticas públicas voltadas à arborização urbana, à valorização das áreas protegidas e às ações de educação ambiental nas comunidades.
Sozinho, ninguém consegue resolver os problemas de uma cidade com mais de 2 milhões de habitantes, como o é Manaus. Neste aspecto, além de atuar como órgão articulador, a Semmas dá a visibilidade necessária a esses problemas para o compartilhamento das responsabilidades, haja vista situações como a da poluição sonora causada por carros tunados, em que a parceria com os órgãos de trânsito fez-se mais do que necessária, e o combate às invasões, que exigiu a união de todos os órgãos de controle e segurança pública para atuar na contenção.
Cabe à Semmas também a gestão de parques urbanos e unidades de conservação municipais importantes para a cidade. Cito como exemplos o Parque do Mindu, um santuário verde localizado em plena área urbana e parte de um importante corredor ecológico urbano onde ainda é possível o contato simples e silencioso com a floresta; e o Parque dos Bilhares, espaço democrático e aberto às diferentes manifestações culturais, artísticas e esportivas, palco também de atividades acadêmicas, frutos de parcerias com escolas e instituições de ensino superior.
Manaus, segundo dados da Semmas, tem ao todo dez unidades de conservação municipais e dois corredores ecológicos localizados em 4,75% da área total do município. Proteger tudo isso, volto a dizer, não é tarefa nada fácil, diante da ganância e da ânsia de destruição de grupos e pessoas de má-fé.
Com recursos oriundos de compensações ambientais, o órgão conseguiu reformar parques e aumentar o índice de visitação desses espaços. Em todos eles, intensifica ações socioambientais, envolvendo as populações do entorno.
Em parceria com o Consulado Geral do Japão, inaugurou dois poços artesianos nas comunidades Agrovila e Julião, na Reserva do Tupé, beneficiando aproximadamente centenas de famílias e fomentando o turismo.
Sem qualquer custo para o Município, a pasta assumiu o desafio da mudança da paisagem urbana com a inserção da arborização e do paisagismo nos corredores viários, praças e áreas verdes degradadas, além de promover a manutenção das árvores já existentes.
Em tempos de Arboriza Manaus, quer ver crescer árvores nos canteiros centrais e passeios públicos, em mais um desafio assumido. Coragem e força para esses guerreiros!
*Coordenador do Programa de Educação Fiscal no Amazonas.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.