29/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Alta rotatividade do desapego emocional

Publicado em 09 de novembro, 2015

Uma série exibida dentro de um programa de TV dominical abordará a necessidade do desapego a pessoas. Sim, desapegar de pessoas, ou melhor dizendo, terminar um relacionamento.

Seguindo essa mesma linha de pensamento, recentemente revi o filme “Bitter Moon” (Lua de Fel), filme de Roman Polanski, do ano de 1992, que tem no elenco Hugh Grant, Emmanuelle Seigner e Peter Coyote. O filme é um drama de um amor passional, no qual a linda francesa Mimi, interpretada por Emmanuelle, sofre humilhações de seu companheiro Oscar (Peter Coyote), mas depois arquiteta uma vingança sórdida, também repleta de abusos e humilhações. Mimi não consegue desapegar de Oscar e a obra cinematográfica demonstra a tênue linha que separa o amor e o ódio.

Até pouco tempo os relacionamentos que acabavam em casamento eram feitos para durar e antes de 1977 eram indissolúveis no Brasil. Uma vez casado, não se podia deixar o casamento e o máximo que se podia fazer era pedir desquite, no qual havia a separação dos corpos, dos bens, mas o casamento era mantido.

A lei civil até a década de 70 carregava os preceitos morais de nossa cultura cristã católica e as escolhas deveriam possuir critérios do tipo: “Antes de casar abra os olhos, depois é melhor fechá-los um pouco”. A intenção era a tolerância, ou abrir espaço para a mesma resolver os problemas conjugais porque esta era a única solução. Porém, essa minha reflexão é para tentar compreender quando alguém deixa de amar ao outro e busca o desapego. Será que as escolhas atuais são mais insensatas e irresponsáveis que de antigamente? Será que a facilidade para o desapego civil do casamento não o tenha transformado na celebração da paixão, ao invés do amor? A paixão como sentimento platônico surge pela falta da posse do ser amado, fazendo amar o que não se tem. Porém, uma vez conseguido o objeto do desejo cessa o amor e surge a necessidade de uma nova conquista. São os amores de alta rotatividade.

É bem verdade que o desapego é mais deletério para a mulher, quando esta sofre o abandono de quem ama e a situação torna-se mais crítica com o avançar da idade. Assim, por mais que possa parecer um pensamento sexista e machista, o avanço (ou seria retrocesso?) na legislação civil é tão somente para garantir o apoio material e afetivo dos filhos, mas para os cônjuges, esses que se virem para suprir suas carências. O homem se resolve mais facilmente e até arrisco dizer que a situação é mais confortável quando esse decide desapegar-se, pelo simples fato que o hormônio masculino nos protege melhor do envelhecimento, enquanto que a mulher sofre com a perda acelerada do “viço”, após os 40 anos.

Não é preciso ir muito longe para demonstrar isso, basta observar as grandes atrizes de cinema, como é caso da própria Emmanuelle Seigner, hoje com 49 anos, e compará-la com o Hugh Grant (55 anos) e ver que o mesmo segue tirando suspiros de moiçolas, enquanto que Emnanuelle, mesmo em seu último filme (A Pele de Vênus, também dirigido por Polanski) é apenas a sombra da femme fatale que foi aos 26 anos. Atores são mais longevos em papeis de galã.

Sabemos que o amor é diferente de paixão e felizmente a filosofia nos apresenta mediações entre a paixão platônica e o amor Aristotélico, no qual se busca amar o que se tem, fugindo-se das paixões. Porém, o amor Kairós (Cristão) é mais forte e incondicional, pois se deve amar o próximo como a si mesmo e isto por si só já resolveria todos os conflitos. Cristo disse aos fariseus que a dureza dos corações dos homens era a responsável pelo divórcio.

Assim, o desapego inicia quando endurecemos os nossos corações, seja porque nos entregamos às novas paixões, porque simplesmente deixamos de amar o que conquistamos ou porque não nos colocamos no lugar do outro.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
João Lago

* João Lago é professor universitário, mestre em Administração (Estratégica / Marketing), tem 10 ...

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.