A cena se repete e se multiplica. Muitas pessoas já não conversam e nem leem porque só vivem nas redes sociais. São dependentes e se esvaziam de conhecimento, de cultura, de relacionamento humano. Acham que o aparelho celular é tudo. Só não contam com a implacável capacidade que o mercado de trabalho possui de descartar os menos capacitados.
Pra completar, num país onde a ideologia vigente nivela por baixo, convivemos com o fechamento de casas de cultura, onde se encontra a fonte do conhecimento. A Livraria Valer, por exemplo, anunciou que fechará as portas depois de anos promovendo a leitura e os escritores. Uma notícia triste nesse país onde parcela significativa da população acha lindo falar “é nóis mano”, e se escreve nos textos e redações do Enem tal qual nas mensagens truncadas das redes sociais.
Para quem tem segundas intenções, politicamente falando, é fundamental que se mantenha um público desatento à leitura e desinformado. Quanto mais pessoas alienadas, melhor, já que é mais fácil promover a manipulação das massas.
Mais tristeza ainda provoca o fechamento de oito jornais no Brasil em apenas seis anos aqui no Brasil. Já se foram a Gazeta Mercantil, o Jornal do Brasil, o Estado do Paraná, o Jornal da Tarde, o Diário do Povo, o Diário do Comércio, O Sul e o Brasil Econômico, sem falarmos nos jornais esportivos.
Partes interessantes como política e economia dos matutinos são deixadas de lado e substituídas por tragédias, escândalos, fofocas e violência, que vendem realmente jornais (segundo informações obtidas). Poucos estão realmente interessados em promover cidadania e formar pessoas que tomarão as rédeas deste país.
E onde fica a importância da leitura para o desenvolvimento sociocultural das pessoas? Desde cedo percebemos que através dela compreendemos o mundo à nossa volta, começamos a ter um ponto de vista e a ampliar os nossos horizontes de tal forma que por meio dela notamos que a nossa imaginação não tem limites.
É através da leitura que adquirimos conhecimento e cultura que vão nos permitir uma capacidade maior de diálogo, de argumentos, nos preparando para o concorrido mercado de trabalho. Além disso, ao conhecermos melhor o mundo, ao vivenciarmos novas experiências, também passamos a conhecer melhor a nós mesmos, promovendo reflexões e amadurecimento, fundamentais para a formação de um cidadão comprometido com a verdade, com a justiça e com o papel que ele pode desempenhar em prol de toda a coletividade, indo muito além dos seus interesses pessoais.
No entanto, muitas são as dificuldades encontradas ou criadas, tais como a falta de bibliotecas comunitárias, obrigando o aluno a se deslocar pra outros bairros, o preço dos livros ou mesmo a preguiça e a falta de interesse pela leitura, fazem com que as pessoas se distanciem desta prática que pode decidir um futuro, seja através de aprovação em concurso público ou pela abertura de novos horizontes.
Ler é de fundamental importância para fomentar as mudanças que tanto queremos para o nosso país, seja através do voto consciente ou por meio de uma postura crítica diante da realidade brasileira. Só assim sairemos desse caos.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.