17/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Gilberto de Deus rompe com Melo, denuncia obras pagas e não feitas na Seinfra e anuncia relatório para TCE, TCU e MPE

Publicado em 02 de novembro, 2015

Gilberto Alves de Deus (esquerda) era considerado amigo muito próximo do governador (direita), mas o rompimento dos dois foi ruidoso

Gilberto Alves de Deus (esquerda) era considerado amigo muito próximo do governador (direita), mas o rompimento dos dois foi ruidoso

A entrevista coletiva do ex-secretário estadual de Infraestrutura, Gilberto Alves de Deus, confirmou as suspeitas de que a pasta teria muitos problemas, na entrevista coletiva concedida no escritório dele, na GAD Engenharia, na rua Belo Horizonte, esta sexta-feira (30/10). “A ponte do Pera, em Coari, tem contrato de R$ 11 milhões, foram pagos R$ 9 milhões e não foram executados nem R$ 1,5 milhão”, denunciou. Ele disse que tem um relatório pronto para entregar aos órgãos de fiscalização da administração pública, o Tribunal de Contas do Estado (TCE), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Estadual (MPE).

O ex-secretário acusou o governador Melo de ter mudado, desde que os dois começaram a trabalhar juntos, em 1989, quando ele era deputado federal licenciado para assumir a Secretaria Estadual de Educação (Seduc), na primeira gestão Amazonino Mendes. Melo o teria humilhado na passagem da Seinfra para Américo Gorayeb, atual titular da pasta. “Ele fez muitos inimigos para me apoiar porque eu não pagava obra malfeita. Mas me humilhou na frente do Gorayeb. Hoje não se preocupa mais com o ser humano”, afirma.

Outras denúncias:

Foram pagos R$ 26 milhões pela obra do monotrilho, à empresa CR Almeida, sem que nada tenha sido feito com relação ao projeto;

A Laghi Engenharia e a Egus Consult Engenharia receberam por projetos executivos que nunca fizeram e resultaram em obras defeituosas. As duas empresas são responsáveis por 50% das obras do Estado e “montam” projetos.

O Governo do Estado reagiu às declarações de Gilberto Alves de Deus, que se demitiu após 27 dias no comando da Seinfra. Em nota distribuída à imprensa, o gabinete do governador afirma que o ex-secretário foi omisso ao não formalizar nenhuma denúncia, nos 27 dias que ficou no cargo. “Todos os dados apresentados por ele são de domínio público e estão disponíveis para consulta no sistema Sicop (Sistema Integrado de Controle e Gestão de Obras Públicas). A empresa Egus teve contrato cancelado desde o dia 17 de julho deste ano, por determinação do governador, e está sendo auditada pelo Ministério Público de Contas do TCE. Os pagamentos para a obra do monotrilho foram referentes a elaboração de projetos, mobilização e sondagens. O contrato está suspenso, por solicitação do Ministério Público Federal, desde 2013”.

 

Repercussão

O procurador-geral de Justiça, Fábio Monteiro, anunciou que vai reunir com os promotores da área de fiscalização da administração pública. Pretende tocar procedimentos já abertos, em relação à Seinfra, e abrir novos.

Faltam apenas três das oito assinaturas (um terço dos assentos na Casa), na Assembleia Legislativa, necessárias para abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) a fim de investigar as denúncias de Gilberto de Deus. Alessandra Campelo (PCdoB), Zé Ricardo Wendling (PT) e Luiz Costa (Rede), os três oposicionistas, contam com o apoio de Wanderley Dallas e Vicente Lopes (PMDB). Alessandra prometeu apresentar o pedido de CPI e convocação de Gilberto de Deus nesta terça (03/11). Ela disse que “dois integrantes da bancada governista” mostraram interesse em assinar o pedido.

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