Por um prazo inicial de 45 dias, que começa a contar a partir desta quarta-feira (28/10), a praia do Complexo Turístico Ponta Negra, na zona Oeste, estará interditada para banho. A medida de segurança está prevista no Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), firmado entre a Prefeitura e Ministério Público Estadual (MPE), Bombeiros e Polícia Militar, em 2013. O TAC, que se for descumprido pode resultar em agravamento de processo contra a Prefeitura, prevê a interdição sempre que o rio Negro atingir a cota de 16 metros.
A cota do rio Negro, segundo o portal www.portodemanaus.com.br, chegou a 15m95 nesta terça-feira (27/10). O ritmo da vazante, porém, parece estar diminuindo. Depois do recorde de 40cm de descida, no dia 11/10, de segunda para terça a marca foi de apenas 4cm.
A interdição foi anunciada pelo prefeito Arthur Virgílio Neto, em entrevista coletiva, no Palácio Rio Branco, no Centro, nesta terça-feira (27/10).

A cota de segurança para os banhistas é a marca de 16 metros para o Rio Negro. Foto: Divulgação/Semcom.
“Neste caso, adoto a máxima da administração de que é melhor ser desagradável, interditando a praia, que ser desastroso, fingindo que não vejo o problema e deixando a população em risco”, destacou o prefeito. “Para amenizar o calor, vamos instalar vários chuveiros ao longo da praia para que as pessoas continuem tendo o lazer, praticando esporte, mas sem entrar na água”, completou Arthur Neto.
A interdição poderá ser prorrogada até que o período de chuva comece e regularize a cota de banho, acima dos 16 metros. No dia 27 de outubro, em 2014, a cota da vazante era de 19m93. Segundo a Cláusula 1 do TAC, parágrafo 3, “a interdição automática do uso da praia ocorrerá sempre que os laudos e/ou relatórios a que se referem os parágrafos anteriores comprovarem que a praia encontra-se imprópria para o uso dos banhistas”.
O diretor-presidente do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Implurb), Roberto Moita, explicou que todo o efetivo do Corpo de Bombeiros, Polícia Militar, Guarda Municipal e demais órgãos que já atuam na Ponta Negra irão direcionar suas atividades para orientar e fiscalizar os banhistas. Além disso, placas de sinalização serão instaladas ao longo da praia perene informando sobre a proibição de banho. “É uma questão de a população entender que estamos preocupados em resguardar suas próprias vidas, que o poder público está atuando a favor da segurança”, destacou.

A interdição da praia poderá ser prorrogada até que o período de chuva comece e regularize a cota de banho. Foto: Divulgação/Semcom.
Histórico
A praia perene foi entregue durante a obra de requalificação da primeira etapa da Ponta Negra, no ano de 2012. A empresa Mosaico Engenharia, que realizou o aterro usando “tecnologia cabocla”, estendeu a areia por 200 metros. Isso permitiu que o local se tornasse a única praia utilizável em todo o rio Negro no período mais severo da enchente, a partir de junho.
Em novembro de 2012, a praia foi interditada aos banhistas, por recomendação do MPE e com base no laudo técnico do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), que identificou a existência de “buracos” na área onde foi feita a parte perene, alegando “risco aos frequentadores”. O diretor do CPRM, Marco Antonio Oliveira, chegou a beber seis latas de cerveja e entrar na água para “comprovar o perigo de banho”. Nenhuma das previsões catastróficas de Oliveira se realizou e a vazante revelou que o trabalho estava perfeito, sem as depressões “denunciadas” no laudo.
A expectativa da Prefeitura é de que nos primeiros dias de novembro o rio pare de descer e comece de forma lenta o processo de subida das águas.
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