14/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Pátria livre ou morrer pelo Brasil

Publicado em 09 de setembro, 2015

Na porta de completar dois séculos de país independente, o Brasil ainda não tem muitos motivos, pelo menos, relevantes motivos para comemorar. A tradicional Festa da Independência, a maior e mais importante data cívica do calendário brasileiro, este ano, foi marcada por ingredientes antagônicos e, ao mesmo tempo, extremamente contemporâneos, uma vez que sempre por esta ocasião, temas de múltiplos contextos vêm à baila e desfilam na grande avenida da opinião pública.

Mais oportuno do que nunca, o conjunto de crises que assolam o país de Norte a Sul, não poderia ficar ausente, fora da parada (sem trocadilho). A verdade é que ficou visível em todas as comemorações, por todo o território nacional, os reflexos de uma crise institucionalizada nunca vista na história desse país. A culpa por essas crises desproporcionais  pode ser debitada na conta dos eleitos e dos  eleitores, que veem morrer, a cada dia, o sonho de um país independente.

No âmbito econômico das crises, a contenção de despesas  ganhou destaque proeminente, pois ficaram explícitas as medidas tomadas para evitar gastos com deslocamento de tropas e frear o consumo de combustíveis em viaturas, aeronaves, embarcações, logística, etc. Um desfile enxuto, definiu a grande maioria dos organizadores dos eventos.

Mas, se a Parada Militar foi desenvolvida de modo a conter gastos e, mesmo assim, comemorar a Independência do Brasil, do lado de fora, nas arquibancadas e ruas os brasileiros não economizaram nas manifestações, no varejo e no atacado.  Nada contra a manutenção do calendário cívico, mas a população, cada vez mais se desprende do patriotismo que herda desde o nascimento.  Por tudo, ou por quase tudo que cometem contra o País, contra a nação brasileira, contra o povo brasileiro, que luta, que ama e quer realmente viver em uma pátria livre.

Hoje, diante do garbo, da cadência empreendida na execução do desfile, pelo conjunto da obra, pela tradicionalidade histórica, por tudo o que representa a Festa da Independência para a Nação Brasileira, para cada um de seus filhos, ainda reside (pequeno que seja) no peito e na alma o amor pelo Brasil. Reside nestes resquícios  de sentimento à pátria a vontade de vê-la, efetivamente, livre, independente da cobiça estrangeira e, principalmente, dos interesses mesquinhos e destruidores alimentados pelos próprios brasileiros.

Se é que podemos chamar de brasileiros essa variedade de raça, de tipo de gente que patrocina a destruição de seu próprio município, de seu estado e de seu país. Que saqueia os cofres públicos, sem a menor responsabilidade com o voto que credencia alguém a lhe representar, que não corresponde às esperanças de construir um futuro melhor para todos, independentemente de ser um município pequeno ou uma grande capital, somos todos brasileiros.

No momento em que patriotas se espremem no sol que nos torra, para assistir ao desfile, interessados em eleição ou reeleição curtem reuniões com almoços em ambientes refrigerados, regados a um bom vinho. Aliás, enquanto muita gente esperneia com a inflação e desemprego, alguns privilegiados articulam e alinhavam parcerias e coligações para as próximas eleições.

Infelizmente, a cada dia, a nossa pátria mãe gentil vive cada vez menos livre. Livre de inúmeros e antigos problemas que atravessam gerações e gerações de seus filhos, que não fogem à luta, muito menos são capazes de morrer pelo Brasil.

 

*Auditor fiscal da Sefaz

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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