15/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Guerra nossa de cada dia

Publicado em 01 de julho, 2015

Recentemente, logo na primeira semana de maio, quando grande parte do mundo comemorava o 70º aniversário do fim da Segunda Grande Guerra Mundial, deparei-me com um questionamento extremamente contemporâneo: As guerras não acabam, apenas mudam de lugares e de modo como acontecem.

A Segunda Guerra Mundial durou cerca de seis anos e envolveu todos os continentes do planeta. O cruel resultado apontou a morte de mais de 60 milhões de pessoas. A maior parte das mortes, em torno de 25 milhões, aconteceu na antiga União Soviética, que junto com Grã-Bretanha e Estados Unidos lideraram as forças aliadas.  Ao longo dessas sete décadas, se somarmos as mortes que aconteceram, diariamente, no Brasil vamos, com certeza, ficar estarrecidos.

Levando em consideração apenas os números de mortes no trânsito – uma média de 60 mil por ano – e os homicídios – algo em torno de 50 mil/ano – já seria suficiente para superar, e muito, o número de mortos na segunda guerra. Esses dados estatísticos crescem na medida em que se adicionam outras anotações decorrentes da violência que campeia de Norte a Sul do Brasil.

Na contramão da história mundial, onde Alemanha, Estados Unidos, Itália, Japão e outros, avançaram social e economicamente, o Brasil se apresenta em posições desfavoráveis nos quesitos de mortes no trânsito, violência imposta pelo crime organizado, tráfico de drogas, corrupção e outras mazelas que degradam a pessoa e os direitos humanos.

Degradante é um termo ameno para retratar os resultados de uma guerra diária, que a grande maioria do povo brasileiro é obrigada a enfrentar para sobreviver. Na verdade, nessa modalidade de guerra doméstica não existem vencedores nem vencidos, apenas sobreviventes, que morrem um pouco a cada dia diante de um quadro caótico e assustador sem, contudo, expectativa de uma mudança a longo prazo, que seja.

Apesar do governo já ter arrecadado, de janeiro a junho de 2015, cerca de R$ 1 trilhão através de impostos, ainda não se vislumbra a possibilidade do País estabilizar-se economicamente. Até parece que, fazendo uma breve analogia, temos um “eixo do mal” disposto a promover atrocidades e um constante holocausto.

Várias, muitas bombas atômicas, como aquelas lançadas pelos Estados Unidos, sobre Hiroshima e Nagasaki, são lançadas no Brasil a cada ano. Morre-se mais gente no trânsito brasileiro do que de câncer em todo território nacional. Cada brasileiro morre um pouco a cada dia, nas intermináveis filas do SUS. Morre-se um pouco a cada dia diante de um quadro desolador visto nas favelas, nas lixeiras públicas, nos presídios, nas unidades de saúde pública. Enfim, uma cena horrenda e constante, como fosse uma marca registrada em todos os estados da federação.

Nesses últimos 70 anos, ao contrário do avanço conquistado pelos vencedores e vencidos nas guerras mundiais, o Brasil tem evoluído negativamente em vários aspectos. É o quarto país no mundo, em números absolutos, em mortes no trânsito; figura em 1º lugar em distribuição da cocaína; possui mais de meio milhão de encarcerados e, como se já não bastasse, detém o título de campeão absoluto por abrigar os políticos mais caros do mundo.

Com tudo isso, ou só por isso, já seria motivo para partir dessa para uma melhor.

 

*Auditor fiscal da Sefaz.

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Autor
Augusto Bernardo Cecílio

* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.

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