06/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Presidente da AM Energia aborda briga contra reajuste de tarifa, troca de 150 mil cruzetas e impasse na greve dos funcionários

Publicado em 13 de junho, 2015

Paiva (à direita) afirma que os problemas dos cortes de energia em Manaus estão sendo resolvidos. Foto: Chico Batata/ Divulgação

Paiva (à direita) afirma que os problemas dos cortes de energia em Manaus estão sendo resolvidos. Foto: Chico Batata/ Divulgação

O presidente da Eletrobrás Amazonas Energia, Antônio Carlos Faria de Paiva, e o senador e ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, anunciaram hoje (13/06) que a empresa foi a única do País que não atingiu 80% das metas estabelecidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Chegou a apenas 71%. Com isso, os trabalhadores não poderão receber Participação nos Lucros e Resultados (PLR), pelo qual estão lutando em greve que chega perto do primeiro mês. “Não ofereceram as condições para que a meta fosse atingida”, disse o ministro.

A Amazonas Energia terá que trocar 150 mil cruzetas de madeira, em todos os postes da rede de energia em Manaus. “Elas foram colocadas há 20, 30 anos. Vamos trocá-las por outras, de polimérico de fibra, com vida útil muito maior”, anunciou Antônio Carlos Paiva. Essas cruzetas, que é por onde passam os fios de alta tensão, quebram e são responsáveis pela maior parte dos cortes de energia na cidade.

Paiva, que participou da entrevista do ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, hoje (13/06), na rádio Tiradentes, emitiu Nota Oficial, através de sua assessoria, esclarecendo a polêmica com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), contra o reajuste da tarifa de energia no Amazonas. A agência quer implantar o degrau tarifário vermelho no Estado, com o custo de R$ 5 cada 100MW.

Eduardo Braga revelou que Manaus e o Amazonas ainda não estão interligados ao Linhão de Tucuruí, como tem sido fartamente dito pelas autoridades estaduais e mesmo do Governo Dilma. “Só quando forem resolvidos os problemas técnicos do Linhão é que a interligação estará resolvida”, disse o ministro.

Leia, abaixo desta matéria, a íntegra da nota da Amazonas Energia sobre a polêmica com a Aneel.

 

Canibalização e novos geradores

“Estamos fazendo um trabalho de reestruturação, de reconstrução. Atuamos hoje em 103 localidades no Estado todo, das quais 96 têm geração térmica. São 526 grupos geradores e demanda máxima de 260MW e potência instalada de 297MW. 157 desses geradores são próprios e 80% estão quebrados, degradados, sem peça de reposição. Quando quebrava um os técnicos pegavam peças de outro para arrumá-lo. É o que a gente chama de canibalização, diminuindo nossa potência instalada. Vamos instalar, nos próximos 90 dias, 18 novos grupos geradores, investindo R$ 60 milhões”, disse o presidente da Amazonas Energia.

Os geradores serão instalados em vilas e cidades: Vila Bittencourt, Urucurituba, Axinaui, Camaruã, Itapuru, Alterosa, Araras, Feijoal, Santa Rita do Well, Ipiranga, Auxiliadora, Caimbé, Caviana, Iuauaretê, Limoeiro, Moura, Sucurandi e Sacumbu.

 

Linhão de Tucuruí

O senador e ministro Eduardo Braga falou sobre o funcionamento do Linhão de Tucuruí. Questionado se essa energia iria abastecer Parintins, neste Festival Folclórico, ele foi categórico, afirmando que isso só acontecerá em 2017. “Já estamos em obra, mas deveremos estar com o Linhão pronto no final de 2017, em Parintins, e estamos trabalhando para aprovar licitação para estender o Linhão de Parintins para Barreirinha, Boa Vista do Ramos, Maués, Urucurituba, Borba, Nova Olinda e Autazes. Com ele iremos atender à produção de silvinita em Autazes, Maués, Borba e Nova Olinda”, disse Braga.

“Chegamos ao sexto alimentador colocado em Parintins, o que fez com que redistribuíssemos toda a carga na cidade. Haverá, este ano, conforto maior de energia durante o Festival Folclórico, mas o Linhão só no final de 2017”, acrescentou o ministro.

Braga anunciou ainda que, em Itacoatiara, no final de julho, será inaugurada uma usina com 20 unidades de motores locados. A AM Energia está lançando licitação para interligar Itacoatiara ao Linhão de Tucuruí. “O povo vê o Linhão passar e a energia não chega porque não tem a subestação. Nem Silves tem energia. Vamos botar em Itacoatiara, Silves, São Sebastião e Urucará. Esse é o Linhão da margem esquerda e vamos interligar por Parintins o Linhão da margem direita”, disse.

 

Usina Mauá 3

A usina Mauá 3, térmica a gás, cujas obras estão paralisadas há quase 3 anos, por uma disputa judicial entre Amazonas Energia e a construtora Andrade Gutierrez, deve ser retomada em breve. “O acordo judicial está praticamente assinado e teremos 600MW novos de térmica a gás, no centro de carga de Manaus”, informou Braga.

A Amazonas Energia fatura, segundo o ministro das Minas e Energia, R$ 3 bilhões/ ano. “É a maior empresa do Norte do País, mas tem problemas técnicos e de gestão. Minha esperança é que o doutor Paiva possa vencer essas desafios”, disse Braga.

 

Greve na Amazonas Energia

A greve dos trabalhadores da Amazonas Energia, que se aproxima do primeiro mês de duração, vive um impasse. “Tem uma Resolução que diz o seguinte: os trabalhadores só receberão o Plano de Lucros e Resultados (PLR) se atingirem 80% das metas. A Amazonas Energia só atingiu 71%. Isso significa que eles não vão receber o PLR?”, indaga Braga.

“Estamos resolvendo o problema no Brasil inteiro, mas o Amazonas vai ficar de fora. O presidente da Amazonas Energia está questionando a Aneel, Eletrobrás e Ministério do Planejamento porque não foram oferecidos os meios para alcançar as metas. Foi a única empresa do Sistema Eletrobrás que não alcançou a meta”, revela.

 

Nota Oficial

A Amazonas Energia emitiu, no meio da tarde, a seguinte Nota Oficial:

Tendo em vista notícia infundada divulgada neste sábado (13/6) por veículo de imprensa, a Eletrobras Amazonas Energia esclarece:

-A concessionária não está discutindo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nenhum pleito relativo a bandeiras tarifárias, e sim solicitando revisão, em termos absolutamente técnicos, do ato administrativo do órgão regulador que classificou o Estado do Amazonas como conectado ao Sistema Interligado Nacional (SIN);

-A concessionária esclarece que implantará as bandeiras tarifárias no momento em que estiver plenamente conectada ao SIN – pré-condição que consideramos operacionalmente ainda não atingida – e estejam preenchidas as condições técnicas e regulatórias para tal;

– A concessionária informou à Aneel, por meio da Carta PR nº 121/2015, as razões técnicas que, posteriormente ao início da interligação, na operação prática do sistema, se mostraram impeditivas para uma classificação do Estado do Amazonas como conectado ao SIN;

-Entre as razões apresentadas à Aneel, destacamos as restrições operacionais de rede, ainda não sanadas, que limitam o abastecimento de Manaus com a energia proveniente de outras regiões nos montantes planejados; a continuada separação da rede da concessionária em duas ilhas, Manaus e Mauá; a dependência de geração própria por usinas termelétricas em montantes acima do planejado para a fase pós-interligação;

-Diante dos argumentos apresentados, esta concessionária solicitou à Aneel “a reanálise do processo de interligação do sistema Manaus ao SIN, bem como sua reconsideração, visando à conclusão das obras da UTE Mauá 3, a eliminação das restrições elétricas no sistema Manaus, operando, atualmente, em ilhas, Manaus e Mauá, e a plena utilização da capacidade da linha de Transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus”;

– A Eletrobras Amazonas Energia rejeita a tentativa de politização desta questão de caráter puramente técnico, condena o preconceito contra o povo amazonense embutido na falsa denúncia, e manifesta sua confiança de que as autoridades regulatórias estarão imunes à malfadada manobra contra a concessionária e seus consumidores e dispensará ao nosso legítimo pleito o tratamento técnico e isento que é tradição do órgão regulador.

 

Eletrobras Amazonas Energia

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