A Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), vinculada à Secretaria de Estado da Saúde (Susam), agora é a referência para toda a região Norte e mais os Estados do Nordeste, para a realização de testes de genotipagem do HIV, coletados em pacientes atendidos na rede pública e particular de saúde. Desde 2009, a FMT integra a Rede Nacional de Laboratórios de Genotipagem (Renageno), do Ministério da Saúde, que decidiu ampliar o papel da instituição amazonense neste serviço.
Criada pelo Ministério para avaliação e monitoramento da resistência viral aos medicamentos utilizados no tratamento da Aids, a Renageno está passando por um processo de reestruturação, com a finalidade, principalmente, de otimizar a utilização de recursos. “A ampliação do papel da FMT nesse processo levou em consideração a estrutura, a capacidade de atendimento e a qualificação dos recursos humanos da instituição”, destacou o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim.
Anteriormente, a FMT era referência – ou seja, era a unidade que concentrava a análise das amostras coletadas para teste de genotipagem do HIV – para os Estados do Pará, Acre, Roraima, Rondônia, além da própria demanda do Amazonas. A partir de agora, passa a receber a demanda de toda a região (que inclui, ainda, os Estados de Tocantins e Amapá), além do Piauí e Pernambuco. “Nossa capacidade instalada para este procedimento de ponta nos permite realizar até 100 exames/mês”, frisa a diretora-presidente da FMT, Graça Alecrim.
Ela ressalta que, atualmente, a FMT tem em seus quadros 10 Médicos de Referência em Genotipagem (MRG). São eles que, após o processamento do exame no laboratório da instituição, interpretam os resultados e emitem os laudos com sugestões de terapia mais indicada para cada caso.
A coordenadora estadual de DST/Aids e Hepatites Virais, infectologista Silvana Lima, explica que a genotipagem é um tipo de exame que permite identificar a chamada resistência genotípica (mutações do HIV), em pacientes em uso da terapia com os antirretrovirais. A informação possibilita ao médico a reorientação do tratamento, com a seleção das drogas a serem utilizadas no esquema terapêutico. “De uma forma bem simplificada, a genotipagem equivale ao antibiograma, o exame laboratorial que permite ao médico saber a que antibióticos o paciente desenvolveu alguma resistência e aqueles a que é mais sensível, para definir o esquema de tratamento de uma infecção”, explica Silvana. O teste de genotipagem deve ser interpretado em conjunto com os dados clínicos e a história prévia do uso de antirretrovirais. “A amostra de sangue deve ser coletada na vigência do esquema terapêutico que está sendo avaliado”, acrescenta a médica.
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