O prefeito de Coari, Igson Monteiro, acusa o ex-prefeito Adail Pinheiro, preso em Manaus, de ter fomentado o quebra-quebra e o queima-queima de ontem (14/01), na sede do Município. “Foram assessores dele que estavam à frente das manifestações. Os funcionários da Prefeitura estavam todos trabalhando”, disse, em entrevista ao programa Manhã de Notícias, da Rede Tiradentes.

Igson Monteiro é, originalmente, vice-prefeito de Adail Pinheiro e também perde o mandato se o titular perder
Igson justifica o atraso salarial com as dívidas deixadas por Adail. “Ele deixou R$ 50 milhões em dívidas”, enfatiza. E acrescenta que 80% dos salários de dezembro foram pagos, além de 50% do 13º. “O juiz e o Ministério Público estão sabendo disso e nos deram prazo, até dia 22 (deste mês), para pagar o restante. Os funcionários estão informados e todas as repartições do Município funcionaram, normalmente, ontem”, declarou.
O prefeito foi eleito, originalmente, na chapa de Adail, na condição de vice-prefeito. Assumiu o controle do Município quando o titular foi preso e destituído das funções. “Foi aí que se deu o rompimento entre nós”, afirma Igson. As demissões de assessores do ex-titular, porém, só ocorreram no fim do ano passado. “Criei afinidades com alguns secretários, que ficaram nos cargos, e eu não podia demitir no período eleitoral”, lembra o prefeito.
Adail, condenado em diversos processos, o último por improbidade administrativa, mantém o cargo de prefeito por uma liminar do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Se e quando esse instrumento for retirado, ele – e Igson, por consequência – perde o mandato. Uma decisão do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) mantém o titular afastado das prerrogativas da função, em face do cumprimento de prisão, no Comando de Operações Especiais (COE), da Polícia Militar, em Manaus.
Igson Monteiro revela que, dos R$ 14 milhões de receita bruta mensal de Coari, R$ 10 milhões são gastos só com o funcionalismo. O Município, com orçamento anual de R$ 224 milhões e população (IBGE) de 82.209, tem a maior renda per capita do Amazonas: em torno de R$ 2.724,76. A Prefeitura de Manaus, com Zona Franca, orçamento de R$ 4 bilhões e população de 2.020.301, tem apenas R$ 1.979,90 por pessoa.
Os royalties do campo gás-petrolífero de Urucu, explorado pela Petrobras, são de R$ 5 milhões. A outra parte, também cerca de R$ 5 milhões, foi perdida quando a Prefeitura de Coari perdeu disputa judicial pelo ICMS com a Prefeitura de Manaus.
“Temos peculiaridades. Só na Zona Rural são 2,8 mil professores”, diz o prefeito. “A limpeza pública custa R$ 500 mil”. Ele afirma que retorna a Coari, “sem medo de andar no meio do povo”, na segunda-feira.
Ouça, clicando no botão abaixo, a íntegra da entrevista de Igson Monteiro:
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