O senador Eduardo Braga (PMDB-AM), que tem mandato até 2018, foi anunciado hoje (23/12), à tarde, como um dos novos ministros da presidente Dilma Rousseff. Vai ocupar a pasta das Minas e Energia, no lugar de Édson Lobão.
A esposa dele, Sandra Braga, é a primeira suplente dele no Senado e o empresário Lírio Parisotto, da Videolar, ocupa a segunda suplência. Ainda não foi divulgado qual dos dois vai para o cargo, mas Lírio teria costurado acordo com a cúpula do PMDB e a própria presidente Dilma para ficar com a vaga.
Poder
Braga, que já é líder do Governo no Senado, aproxima-se ainda mais do poder central. Pode ter conseguido no “pacote”, o direito de nomear a direção da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Nesse caso, o principal nome passa a ser da candidata a vice-governadora na chapa dele, a deputada federal Rebecca Garcia (PP). Esse anúncio, porém, ainda não foi oficializado.
Desafios
O senador, derrotado no último pleito para o governador José Melo, ainda disputa na Justiça Eleitoral o chamado “3º turno”. Tem 32 processos tramitando, nos quais pede o impeachment do adversário, por razões que vão do uso da máquina estadual ao abuso do poder econômico.
No Ministério das Minas e Energia, Braga terá que enfrentar diversos desafios. O principal é tirar a Petrobrás do lamaçal de corrupção em que se atola cada vez mais. A estatal é subordinada à pasta.
Depois, o novo ministro precisa colocar o Brasil na corrida das energias renováveis, sem poder desprezar o petróleo do Pré-Sal, até para enfrentar as evidências contra os combustíveis fósseis e fenômenos naturais, como a seca nas represas de São Paulo.
No Amazonas, o senador, que prometeu na campanha que não entregaria o Senado a Parisotto, tem que melhorar o desempenho do programa Luz para Todos. Pode, por exemplo, exigir que as empresas terceirizadas que implantaram o sistema paguem aos caboclos ribeirinhos, forçados a trabalhar no posteamento sem receber nada em troca, embora essa tarefa esteja na planilha de cobrança das contratadas pela Eletrobrás Amazonas Energia.
Precisa, também, resolver o problema crônico dos cortes no fornecimento de energia em Manaus durante o verão. Os presidentes Lula e Dilma vieram pessoalmente à capital amazonense prometer que isso seria resolvido, anunciaram investimento bilionário, o Linhão de Tucuruí, mas até agora o clima de racionamento continua.
E, finalmente, o maior desafio político de Braga é enfrentar o principal desafio da campanha: a fama de arrogante.
Negociações
A presidente Dilma Rousseff, com a nomeação dos 13 ministros, definiu os espaços dos principais partidos aliados do PT no Governo Federal, PMDB, PSD, PCdoB e PRB. Ainda falta nomear 22 nomes.
O PMDB, de Eduardo Braga, abriu mão da Previdência Social, que era ocupada pelo senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), que volta ao Senado, mas ficará com Aviação Civil, Agricultura, Minas e Energia, Turismo, Pesca e Portos.
O PCdoB, da senadora Vanessa Grazziotin (AM), perdeu para o PRB o controle do Ministério do Esporte. A pasta foi entregue ao deputado George Hilton (PRB-MG), que é radialista, apresentador de Televisão, teólogo e animador. O ministro Aldo Rebelo (PCdoB) ficou com Ciência e Tecnologia, ou seja, vai mandar no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (inpa).
Os ministros
PT
Defesa Jaques Wagner (Cota pessoal da presidente)
PSD
Cidades Gilberto Kassab
PROS
Educação – Cid Gomes
PCdoB
Ciência e Tecnologia Aldo Rebelo
PMDB
Agricultura Kátia Abreu
Portos Edinho Araújo
Minas e Energia Eduardo Braga
Aviação Civil Eliseu Padilha
Pesca Helder Barbalho
Turismo Vinicius Lajes
PRB
Esporte George Hilton
Sem filiação
Igualdade Racial Nilma Lino Gomes
Controladoria-Geral da União Valdir Simão
* Com informações do www.uol.com.br
Veja mais notícias em Política