Em entrevista coletiva, realizada nesta sexta-feira (26/09), o candidato ao Governo do Estado, Marcelo Ramos (PSB), e a coordenação da campanha de Marina Silva, em Manaus, divulgou a “Carta ao povo amazonense”, onde a candidata reintera ser a favor do projeto da BR-319.
De acordo com Ramos, Marina nunca disse ser contra a rodovia, e afirmou que deturparam os pronunciamentos dela a respeito do tema. “A Marina disse que “até este momento”, a rodovia não provou sua viabilidade social, econômica e ambiental. Essa fatura não é da Marina, que saiu há sete anos do Ministério, e mesmo assim outros gestores estaduais e federais tiveram oportunidade de fazer e não fizeram”, salientou, completando que se alguém defende a obra a qualquer custo tem que se manifestar.
Na opinião do candidato – que enfatizou ser totalmente a favor da BR, desde que seja provada sua viabilidade social e ambiental – a rodovia é importante para integração nacional, para processos produtivos de produtos de algumas indústrias do polo industrial e como um vetor para o turismo.
Na carta, Marina falou sobre ataques que está sofrendo nas redes sócias, que veiculam mentiras sobre seu posicionamento. A candidata salientou que os estudos devem provar que essa é a melhor alternativa e apresentar medidas concretas, que serão adotadas para evitar os prejuízos sociais e ambientais associados ao desmatamento e a ocupação desordenada, no entorno da rodovia.
Marina promete ainda retomar o Plano Amazônia Sustentável, que desenvolveu enquanto estava no Ministério, que continha cinco eixos estratégicos: programas de desenvolvimento sustentável, gestão ambiental e ordenamento territorial, inclusão social, infraestrutura e um novo padrão de financiamento para região.
A candidata finalizou dizendo que defende que o desenvolvimento não pode ser realizado a qualquer custo. Com ganhos exacerbados para poucos e perversos para maioria, a partir da destruição de recursos naturais.
Veja a íntegra da carta:
AO POVO AMAZONENSE
Há três dias, sofro um intenso ataque nas redes sociais, que veicula inverdades sobre posições minhas, truncando e deturpando informações, com o único intuito de denegrir minha imagem e prejudicar minha candidatura à Presidência da República, ao lado de Beto Albuquerque, meu vice na chapa da Coligação Unidos pelo Brasil – o que denota o desespero de nossos adversários e seus vocalizadores. Em respeito aos cidadãos do Amazonas e no intuito de resgatar a verdade dos fatos, é que decidi escrever esta carta.
O ponto central dos ataques é a afirmação errônea de que sou contra o projeto da BR 319. Isso não é verdade. O que afirmei, quando aí estive recentemente, e hoje reitero, é que o projeto precisa comprovar sua viabilidade econômica, social e ambiental. Os estudos devem demonstrar que essa é a melhor alternativa de transporte entre Porto Velho e Manaus e apresentar medidas concretas que serão adotadas a fim de se evitar prejuízos sociais e ambientais associados ao desmatamento a à ocupação desordenada no entorno da rodovia.
O que os amazonenses precisam se perguntar é a razão de a BR até hoje não ter sido concretizada, se sua recuperação foi anunciada pelo governo federal em 2005 e suas obras pretendidamente iniciadas no final de 2008?
Seis anos e quatro meses após a minha saída do Ministério do Meio Ambiente, o processo de licenciamento da BR 319 encontra-se paralisado, porque ainda perduram inconsistências no estudo. Faltou empenho das autoridades competentes nas esferas federal e estadual para a condução a contento desse projeto.
Dirigente público comprometido com o interesse da sociedade e responsável pelo dinheiro do contribuinte age com retidão. No período em que fui ministra do governo Lula, entre janeiro de 2003 e maio de 2008, a Pasta do Meio Ambiente emitiu licenças complexas e polêmicas, como o asfaltamento da BR 163, que liga Cuiabá a Santarém, das hidrelétricas de Jirau e Santo Antônio, no Rio Madeira, em Rondônia, e da própria obra de Transposição do Rio São Francisco. Ainda no Ministério, uma de nossas maiores conquistas foi o Plano de Ação para Prevenção e o Controle do Desmatamento da Amazônia Legal, que contou com o esforço integrado de 13 ministérios. Graças ao projeto, o ritmo de desmatamento da Amazônia caiu 57% em apenas três anos, passando de 27 mil km² para 11 mil km² ao ano.
Em meu governo, pretendo retomar o Plano Amazônia Sustentável, que desenvolvi ainda no ministério, e que trazia cinco eixos estratégicos: programas de desenvolvimento sustentável, gestão ambiental e ordenamento territorial, inclusão social, infraestrutura e um novo padrão de financiamento para a região. Não sou de afirmações fáceis. Mas defendo que o desenvolvimento não pode se dar centrado no crescimento a qualquer custo, com ganhos exacerbados para poucos e resultados perversos para a maioria, principalmente para os mais pobres, a partir da destruição de recursos naturais e da qualidade de vida.
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