Vinte e oito funcionários da empresa Humanizar, responsável pelo serviço de segurança do Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), foram afastados dos cargos. A decisão foi tomada após procedimento investigatório aberto após fuga de seis detentos do presídio, no dia 26 de julho. A Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos (Sejus) também reforçou a segurança de unidades prisionais da capital, por meio de monitoramento eletrônico.
O secretário estadual de Justiça, coronel Louismar Bonates, disse nesta sexta-feira (15/08) que logo após a fuga dos detentos foi aberto um procedimento investigatório disciplinar para apurar a participação dos funcionários da Humanizar que estavam de plantão no dia 26 de julho. Dos 28 afastados, 26 são agentes de disciplina, um é supervisor e um é gerente operacional. “Nós solicitamos a empresa o afastamento imediato desses agentes, que eram responsáveis pela condução, pela tranca e pela chamada dos internos dos pavilhões 1, 2, 3 e 5”, explicou o secretário.
Como parte dos procedimentos investigatórios, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Militar também instauraram processos para apurar se houve falha nas guaritas do Compaj. O secretário da Sejus informou, ainda, que outro resultado foi o envio do procedimento investigatório ao delegado geral da Polícia Civil, Josué Rocha, para a abertura de um inquérito policial para apurar a facilitação da fuga e a suspeita de formação de quadrilha por parte dos envolvidos.
No dia 26 de julho de 2014, fugiram do Compaj os internos Gelson Lima Carnaúba, considerado o nº 2 da facção criminosa Família do Norte, Adalberto Salomão Guedes da Silva, Geremias Ribeiro da Silva, Jefferson Oliveira da Silva, Kaio Wellington Cardoso e Vagner Castro. O detento Jefferson Oliveira da Silva já foi recapturado. O coronel fez questão de salientar que essa fuga foi o único incidente grave este ano no sistema penitenciário do Amazonas, o que comprova que a segurança do sistema, com a terceirização do serviço, é eficiente.
Bonates também informou que a Humanizar será multada, conforme estabelecido no contrato firmado com o Governo do Estado, por conta da negligência no serviço prestado. O quadro de agentes de disciplina do Compaj já foi recomposto e, segundo Bonates, a Sejus está realizando reuniões com os diretores das unidades prisionais da capital para que sejam revistas as medidas operacionais, com o objetivo de aumentar o rigor nas fiscalizações dos presídios. “Nós estamos realizando estudos técnicos para a ampliação de tecnologia em segurança, que ajude nas fiscalizações. Nós vamos, em conjunto com a empresa, instalar mais câmeras de segurança nessas unidades”.
Monitoramento
O secretário destacou que o Amazonas tem hoje o primeiro Centro de Monitoramento do Sistema Penitenciário do país, com capacidade para monitorar as dez unidades prisionais da capital, por meio de cerca de 500 câmeras de segurança. A Central, operando em fase piloto, prevê monitoramento 24 horas por dia de todas as unidades por servidores da Sejus. “Com essa tecnologia, nosso trabalho tem sido facilitado e a nossa ideia é, futuramente, ampliar esse sistema para o interior do Estado também”.
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