16/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Quando o Coach precisa de Coaching – além do técnico e da técnica

Publicado em 14 de julho, 2014

O que dizer quando o Coach, que tem a responsabilidade de liderar um time, é o primeiro a apresentar uma postura inadequada e inflexível para um evento que exige, além da técnica, uma tática exemplar e que, de preferência, tenha resultados positivos

A arrogância, a falta de humildade, a visão de conjunto e a convicção que a parte é maior que o Todo, aliada à falta de flexibilidade, evidenciaram que para ser Coach é necessário mais que Técnico e mais que técnica.

Colocar todos os ovos numa mesma cesta é fortalecer o indivíduo e mesmo que cada indivíduos seja um talento, um profissional reconhecido, dificilmente potencializará a Equipe, pois continuará se enxergando como único e não como conjunto, como coletivo. A tendência é o desempenho medíocre baseado na atuação de indivíduos e não de uma equipe que, denominada de Seleção, já teve seus tempos áureos e seus momentos de glória e, efetivamente, era uma seleção de talentos, onde um valia dois ou mais e a somatória chegava ao resultado de sucesso. Perder é parte do processo, mas perder com dignidade é o que se espera.

No momento em que o próprio Técnico não reconhece os próprios erros e não admite falhas, sendo taxativo em dizer “não mudaria nada” ou ainda “não me arrependo de nada”, demonstra uma postura típica de falta de humildade, de falta de liderança e, principalmente, de quem não se atualizou, não se reciclou, não se reinventou e não se modernizou em suas técnicas e táticas e não percebeu que o mundo mudou e junto com ele o modo de jogar futebol, talvez não mais o futebol-arte, mas o futebol de resultado, que agrega inteligência e talento, onde o foco é cada jogo como se fosse único e final, sem nunca deitar em berço esplêndido, achando que o sucesso do passado garante a vitória do presente. O aprendizado é contínuo e diário. Ninguém é dono da verdade, nem sabedor de tudo.

Até que ponto o propósito de ser uma Seleção e participar de uma Copa do Mundo é incorporada por todos os componentes da equipe e atuam como tal, pois já se sabe que a Seleção não é um Clube e uma Copa do Mundo não é um campeonato qualquer? Que valor coletivo sobressai ao valor individual e é compartilhado pelo Técnico? São muitos questionamentos e as respostas dependerá sempre do Líder, do Coach, de preferência do Líder–Coach.

Quando o Técnico assumir que precisa de um processo de Coaching e, em vez de justificar as falhas, assumi-las para reinventar suas estratégias e reciclar suas táticas, certamente ele terá grandes chances de ser o Coach, que ele deseja SER ou já foi.

Quando o Coach precisa de Coaching, necessariamente não deveria ser na derrota, mas se isso é inevitável, que seja. Antes tarde do que Nunca.

O equilíbrio será sempre reconhecer os talentos, preservar as experiências, incorporar uma missão significativa, estimular propósito único, exercitar um valor coletivo, respeitar os adversários, rever conceitos e amar o País e os torcedores que representam mais que tudo.

Fizemos a Copa das Copas fora do campo.

Até 2018.

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Autor
Ozeneide Casanova

Ozeneide Casanova Nogueira é advogada e assistente social, com MBA em Gestão de Pessoas (FGV-ISA...

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