Em greve desde o dia 8 de abril, os servidores e serventuários da justiça amazonense promovem nesta terça-feira (15/04), a partir das 9 horas, passeata com o objetivo de colher assinaturas para ingressar no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) com pedido de auditoria nas contas do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), durante a gestão do desembargador Ari Moutinho. A passeata sai da frente do Fórum Henoch Reis e vai até o prédio do Tribunal de Justiça do Amazonas, localizado na Avenida André Araújo.
Segundo a coordenadora-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Justiça (Sintjam), Eladis de Paula, com a medida, a sociedade conhecerá detalhadamente o montante de receitas e as respectivas despesas. Segundo ela, o orçamento para o Tribunal de Justiça, nos últimos dois anos, teve repasse crescente. Passou, em 2012, de R$ 420 milhões para R$ 520 milhões, em 2014; crescimento de quase 24%. “Apesar do volume de recursos ter aumentado, nunca há disponibilidade financeira para o pagamento dos direitos trabalhistas dos servidores e serventuários. O que tem sido feito com esses valores a mais? Em que estão investindo ou desperdiçando os recursos públicos?”, argumenta a coordenadora-geral.
Além de colher assinaturas na porta do Fórum Henoch Reis, onde ficará uma mesa para que os visitantes e funcionários endossem a causa, o Sintjam também coordenará idas aos terminais de ônibus e pontos de grande concentração popular, na capital, para colher apoio à ação.
Paralisação
Na última sexta-feira (11/04), o presidente do TJAM, desembargador Ari Moutinho, enviou o ofício nº 06/2014 aos diretores solicitando que informassem, diariamente, o nome dos faltosos a fim de que “as providências legais, no caso de declaração de ilegalidade do movimento, fossem adotadas”.
No sábado (12/04), o presidente acionou o plantão da justiça pedindo que o Estado entrasse com uma ação civil pública para declarar a greve ilegal sob a justificativa de que o sindicato não o teria informado com o prazo de 72 horas de antecedência. O magistrado plantonista, desembargador João Simões não concedeu a liminar.
De acordo com o Sintjam, no mês de março, foram informadas, sucessivas vezes, às datas de todas as paralisações de protesto assim como a realização da greve por tempo indeterminado a partir do dia 8 de abril, caso as reivindicações não fossem atendidas: pagamentos das datas base atrasadas, da hora a mais na jornada de trabalho que vigorou de 2009 a 2012, celeridade nas promoções e nomeação imediata dos concursados.
O sindicato protocolou no Tribunal de Justiça, dia 4 de abril, o ofício de nº 18/2014 comunicando a greve a partir do dia 8. Um dia antes da paralisação, em 7 de abril, protocolou novo documento a fim de reforçar o primeiro.
Ainda no sábado, o setor jurídico do Sintjam transmitiu representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), solicitando que seja determinado que o presidente do Tribunal de Justiça do Amazonas seja impedido de adotar qualquer medida que venha “barrar” o direito da categoria de protestar. Além disso, o Sintjam também estrutura uma representação criminal contra o presidente Ari Moutinho junto à Procuradoria da República.
Reivindicações dos grevistas
Dentre as reivindicações do movimento grevista estão os pagamentos das datas base atrasadas, da hora a mais na jornada de trabalho que vigorou de 2009 a 2012, a celeridade nas promoções, – estagnadas há dez anos-, e a admissão imediata dos aprovados no último concurso público promovido pelo Judiciário, em consonância com a determinação do Ministério Público, que prevê a dispensa de 400 temporários para a contratação de efetivos.
O Sintjam atendendo as determinações do Supremo Tribunal Federal (STF) mantém mais de 30% do efetivo de servidores prestando serviço nas medidas urgentes: ação de alimentos, ações relacionadas ao juizado da infância e da juventude, prisão em flagrante, habeas corpus, alvará de soltura, liminares e mandados de segurança, medidas protetivas de emergência da Lei Maria da Penha.
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