Inovação e sustentabilidade caminham juntas na exposição Linhas do Tempo, de Hadna Abreu, 24, que será inaugurada nesta sexta-feira, às 19h, na Galeria do Largo, Centro de Manaus. Os uniformes dos monitores foram confeccionados a partir de garrafas PET e as molduras das obras feitas de caixote de feira. A mostra traz uma leitura das marcas do percurso da vida em idosos.
A novidade segue a diretriz do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura, que está incluindo nos espetáculos, mostras, projetos e editais de licitação procedimentos para aquisição de produtos e serviços enquadrados como sustentáveis. “Estamos inovando e seguindo a diretriz da Secretaria de Cultura de que todos os espetáculos e eventos comecem a encaixar o conceito de sustentabilidade”, disse a diretora da Galeria do Largo, Sandra Praia.
Outra novidade é que o visitante poderá sair da exposição já com o mimo da artista. Na Galeria do Largo, haverá uma loja de souvernir com produtos que trazem a arte da Hadna, como camisetas e canecas. Até as obras expostas serão comercializadas.
Esta é a primeira exposição individual da artista plástica. O público pode visitar a Galeria do Largo, de terça a domingo, das 17h às 21 horas. O evento segue até o dia 15 de setembro e a entrada é gratuita.
Exposição
Artista sensível e de uma nova geração do Amazonas, Hadna Abreu inspirou-se nos avós (Terezinha, Naasson e Lúcia) para criar os desenhos, pinturas, afrescos e esculturas da exposição. Ela utiliza diversas linguagens artísticas e usa arte urbana para desenvolver a temática as marcas do tempo nos indivíduos. “Essa é a minha primeira exposição individual e numa galeria importante, cobiçada pelos artistas da cidade. Eu ainda nem estou acreditando”, revelou Hadna.
De acordo com o curador da exposição, o artista plástico Turenko Beça, apesar da pouca idade, Hadna tem uma linguagem própria e faz uma obra muito poética. “A artista pinta os ‘velhinhos’, seus devaneios e coisas que eles gostariam de fazer, ressaltando a passagem do tempo, não só fisicamente, mas também as marcas que o tempo deixa na alma de cada um”, disse.
A exposição é composta por cerca de 40 peças, entre esculturas, ilustrações em papel, pinturas em afresco e pôsteres lambe-lambes. Segundo Beça, a técnica lambe-lambe é uma forma de intervenção urbana da streetart e se diferencia do grafite porque o artista leva a obra pintada para a rua e cola onde deseja expor o trabalho.
Para a artista, além da mostra em si, as obras chamam atenção pelo lado social que elas despertam em quem vê. “As obras envolvem sentimentos, lembranças. Os meus velhinhos podem fazer alguém se lembrar dos seus velhinhos também; as histórias vividas, as suas dependências e o cuidado que eles merecerem ter”, contou Hadna.