O Caprichoso trouxe para a arena do Centro Cultural Amazonino Mendes, o Bumbódromo, na primeira noite do 48º Festival Folclórico de Parintins, as origens do bumbá. Fez uma homenagem ao seringueiro, ressaltando a figura de Roque Cid, um de seus fundadores. A cúpula do Teatro Amazonas, principal símbolo do Período Áureo da Borracha, se abriu trazendo o Boi Caprichoso.
A porta-estandarte Rayssa Tupinambá, fazendo sua estreia na arena, surgiu de uma estrela, sustentada por guindaste e entre a nova estrutura de aço que suporta a apresentação dos itens dos bumbás. O Caprichoso explorou com maestria o novo suporte, ao contrário do Garantido que ignorou o artefato.
Outro ponto alto da apresentação foi a coreografia das tribos indígenas, que construíram uma maloca branca no meio da arena, simbolizando a paz, com muito movimento.
A alegoria “O encanto do boto” contou a lenda do boto, que se transforma em um homem sedutor nas noites de lua cheia para seduzir mulheres e levá-las para as profundezas do seu reino encantado. Foi a primeira transmutação do apresentador, Júnior Paulain, que foi boto, índio e caboclo, ao longo da apresentação, em que esteve muito bem. A alegoria retratava as profundezas do reino aquático, com águas vivas, conchas e moluscos. A Rainha do Folclore do bumbá, Brena Dianná, entrou na arena sentada em um boto e a Cunhã-Poranga Maria Azêdo chegou em um lagarto alado.
O ritual indígena foi do povo Yurimã, antigos habitantes da região do Alto Solimões. Em seu ritual, eles evocaram o espírito de Guaricaya, que ao ouvir o som sagrado das flautas, fazia a floresta estremecer com seus passos. O pajé Valdir Santana, porém, parecia preocupado. O problema pode ter ocorrido por conta do enorme lagarto que trazia escondido na fantasia, destinado a se transformar no ponto alto da apresentação, que demorou a abrir e o retirou do foco dos jurados.
O amo, Edilson Santana, titubeou num dos versos, mas inovou, exibindo sotaque nordestino e ritmo de embolada, além de explorar ao máximo o conhecido potencial vocal. David Assayag tinha à mão um farto manancial de toadas. Ele competiu com “Centenário de uma paixão”, de Guto Kawakami de Oliveira, Adriano Aguiar e Geovane Bastos. Adriano, aliás, foi o grande compositor da noite, com “Sensibilidade”, que será o tema na noite de hoje (29/06), também muito tocada.
O Caprichoso começou muito bem a luta pelo bicampeonato.
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