29/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

O Papa Francisco

Publicado em 16 de junho, 2013

A eleição do Cardeal Jorge Mario Bergoglio SJ, nascido em Buenos Aires, em 17 de dezembro de 1936, sendo o 266º Papa da Igreja Católica e atual chefe de Estado do Vaticano, eleito no dia 13 de março de 2013, primeiro do continente latino americano, evidenciou certa perspectiva de mudança da propositura que vinha ocorrendo com o papado de Bento XVI, apesar de uma grande quantidade de cardeais eleitores terem sidos purpurados pelo papa emérito hoje.

Em sua carreira destaca-se a graduação e mestrado em química, na Universidade de Buenos Aires. Na juventude, teve uma doença respiratória que, numa operação de remoção, lhe fez perder um pulmão. Em sua adolescência, teve uma namorada, Amália, que, segundo suas palavras, Bergoglio chegou a pedi-la em casamento, tendo ele inclusive afirmado que, do contrário, se tornaria padre.

Veio a ingressar no noviciado da Companhia de Jesus em março de 1958. Fez o juniorato em Santiago, Chile. Graduou-se em Filosofia em 1960, na Universidade Católica de Buenos Aires. Entre os anos 1964 e 1966 ensinou Literatura e Psicologia, no Colégio Imaculada, na Província de Santa Fé, e no Colégio do Salvador, em Buenos Aires. Graduou-se em Teologia em 1969.

Recebeu a ordenação presbiteral no dia 13 de dezembro de 1969, pelas mãos de Dom Ramón José Castellano. Emitiu seus últimos votos na Companhia de Jesus, em 1973. Em 1973 foi nomeado Mestre de Noviços, no Seminário da Villa Barilari, em San Miguel. No mesmo ano foi eleito superior provincial dos jesuítas, na Argentina.

Em 1980, após o período do provincialato, retornou a San Miguel, para ensinar em uma escola dos jesuítas. No período de 1980 a 1986 foi reitor da Faculdade de Filosofia e Teologia de San Miguel. Após seu doutorado, na Alemanha, foi confessor e diretor espiritual em Córdoba. Além do espanhol, fala fluentemente italiano, alemão, francês e inglês, tendo razoáveis conhecimentos de português” (a b c Cardinal Jorge Mario Bergoglio, S.J. (Biographical notes) (em inglês). Santa Sé. Página visitada em 13 de março de 2013; http://www.guardian.co.uk/world/2013/mar/13/new-pope-thirteen-key-facts; http://www.spiegel.de/panorama/jorge-mario-bergoglio-papst-franziskus-i-a-888751.html)

O Papa Francisco, nome adotado de Francisco de Assis, pai dos franciscanos, chamado a construir a Igreja de Jesus, renunciou à riqueza do pai, Bernadone, abraçando a vida mendicante como protesto e solidariedade aos pobres, denunciando a opulência medieval. Sua escolha evidencia a instância teológica bíblica cristã que vem evidenciar o raio X da vida cristã, que embora esta necessite de uma doutrina segura e harmoniosa, mas não se esgota nessa dimensão; que o cristianismo é amor fraterno e solidariedade às pessoas, especialmente aos pobres, e, mesmo assim, isso não é suficiente.

Urge entender que, no testemunho deste Papa, afinando-se com Francisco de Assis, a vida cristã é vida perene da graça de Deus em nós, na dimensão do Cristo Ressuscitado que chama Pedro ao segmento, após interrogá-lo três vezes se o amava. O amor de Deus revelado é  dado a nós e nele e por ele amamos a Deus e aos demais, especialmente aos pobres. Aqui está o alicerce para a doutrina, o direito, a pastoral, o amor aos pobres e a solidariedade à todas às pessoas.

É a teologia da Libertação, coerentemente Bíblica e Cristã, que impulsiona o cristão para a prática do bem, considerando sempre o bem comum, a vida humana e a biodiversidade. Instância essa cristã que estava muito nebulosa devido o peso doutrinal-jurídico-canônico e ideológico evidenciado por uma boa parcela da Igreja; instância ética, filosófica, social  e ideológica, também, ilustrada por  uma boa parte de pessoas e cristão calejados das últimas cajadadas dadas por parte da instância evidenciada anteriormente.

A eleição de Francisco não vem de nenhuma das duas, mas de uma instância que, embora conviva com as duas dimensões cristãs anteriores, provém desse processo de seguimento sintético, que não exclui as instâncias anteriores, como, também, portadoras da verdade, mas a dimensão  da eleição deste novo Papa vem da graça de Deus, como dom santificante do cristão, que recebe a tarefa de apascentar o rebanho, a partir de Cristo, presente em sua vida e na vida da comunidade testemunhal desse amor de Deus.

Esse é o resgate. Não é novidade, até porque cristianismo é isso. É nesse sentido que devemos  ir de encontro aos irmãos, especialmente aos mais pobres, e lutar pelo Reino de Deus que inclui até os poderosos, os sistemas, desde que ele façam como Zaqueu: “Senhor o que eu roubei vou dar aos pobres, o que eu ganhei honestamente vou dar a metade” e Jesus diz: “Vou jantar com você em sua casa”. Amigos esses é o critério. Esse é o perfil do Papa Francisco.

Por isso que a prática pastoral do então cardeal de Buenos Aires, junto às pessoas dos bairros pobres dessa cidade, ilustra o testemunho vivencial de quem ele já era e explica a escolha do nome Francisco. Vele ressaltar que esse tipo de prática pastoral muitos cardeais, bispos, padres, religiosos (as) e leigos vêm desenvolvendo até hoje. Só para citar dois bispos que trabalharam no Brasil, Dom Pedro Calsaldáliga, morando numa casa de chão batido, emérito de São Felix do Araguaia e Dom Fragoso, falecido em 2006, em João Pessoa, Nordeste do Brasil, celebrava a Eucaristia junto às prostitutas pobres nos prostíbulos de Crateús (CE).

Possivelmente não ficará ausente no exercício do seu magistério o tratamento das seguintes questões: a relação do cristianismo católico com as denominações religiosas não cristãs, com os cristãos não católicos, o problema da ecologia e assim da biodiversidade, que é franciscano, a ordenação dos homens casados e a situação dos padres casados ou dos que não estão exercendo o ministério na forma convencional, a ordenação das mulheres, a maior participação dos leigos (as ) na Igreja, as crianças, a pedofilia, a burocracia da Cúria Romana, o debate das emancipações humanas, que exigem tratamento mais humano e igualitário, os homossexuais e a Igreja, os desafios da justiça social e a distribuição da riqueza mais igualitária e as implicações dos sistemas capitalista e comunista.

Pois vivemos numa sociedade global e se a Igreja é uma proposta de vida justa e Igualitária, a partir do amor de Jesus em nós e assim a todos. Essas questões fazem parte do cotidiano das pessoas e por isso não podem ser ignoradas.

Que Deus sempre nos ilumine para que vejamos, permanentemente, Jesus presente em nós e nas pessoas, independente de quem elas sejam. Esse é o verdadeiro Raio X da Vida Cristã que Francisco quer redimensionar em sua mudança.

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Autor
Prof. Dr. Pe. Manuel do Carmo da Silva Campos

Manuel do Carmo da Silva Campos, 57 anos, é natural de Parintins (AM), teólogo e filósofo, doutor...

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