O Acidente Vascular Cerebral (AVC) foi causa de 1.706 internações somente em Manaus, nos últimos 13 meses, de acordo com informações do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS). A dificuldade em conseguir atendimento e a falta de condições financeiras para ir até uma unidade de saúde são fatores que impedem a maioria das pessoas com sequelas de realizarem tratamento para recuperar os movimentos perdidos e melhorias na qualidade de vida, em Manaus. O diagnóstico é da Associação Amazonense de Fisioterapia (Asfiam).
Segundo o presidente da Asfiam, o fisioterapeuta Daniel Xavier, um AVC, popularmente conhecido como ‘derrame’, pode causar fraqueza ou paralisia de um lado do corpo e problemas de desequilíbrio ou coordenação. A fisioterapia ajuda a recuperar mobilidade e controle muscular o mais rápido possível.
Atualmente, em parceria com instituições de ensino, algumas Unidades Básicas de Saúde (UBS) de Manaus prestam atendimento na residência de pacientes com sequelas de AVC, por meio de acadêmicos de Fisioterapia, acompanhados de um fisioterapeuta preceptor. “O problema é que quando o período do estágio acaba, esse paciente na maioria das vezes fica sem atendimento”, informou.
De forma geral, segundo a Asfiam, quem precisa desse tipo de atendimento encontra muitas dificuldades em toda rede municipal. “O serviço também é oferecido nas Policlínicas, mas o problema é que as pessoas não têm condições de levar o familiar, muitas vezes, acamado, para realizar as sessões”, disse.
Em eventos realizados para discutir o assunto, a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa) informou que o serviço de fisioterapia será contemplado nos Núcleos de Apoio à Saúde da Família – NASFs, que estão sendo planejados pelo município.
Tratamento
Daniel explica que a fisioterapia deve começar logo após o AVC, em casa ou no hospital. “Se a pessoa não conseguir se mover, em primeiro lugar o terapeuta confirma se a pessoa está corretamente posicionada na sua cama e muda a sua posição regularmente para impedir que os músculos e as articulações fiquem rígidas”, ressaltou.
Se a pessoa que sofreu o AVC tem dificuldades de movimento e equilíbrio, de acordo com Daniel, o fisioterapeuta irá trabalhar o paciente de forma a que recupere o maior equilíbrio e movimentos possíveis. O tratamento para membros fracos ou paralisados começa com pequenos movimentos guiados e praticando tarefas simples.
À medida que a pessoa começa a melhorar e a ter mais força, são realizados movimentos mais largos e exercícios mais complicados que irão encorajar ambos os lados do corpo a trabalhar em conjunto.
Apoio da família
Quando o paciente recebe o diagnóstico de AVC é preciso apoio de toda a família, já que o processo de recuperação pode ser demorado, explica o fisioterapeuta, Daniel Xavier, que é doutor em Fisioterapia Intensiva e especializado em Fisioterapia Neurofuncional. “A fisioterapia pós AVC é uma das formas de tratamento que consegue melhorar a qualidade de vida do paciente e ajuda na recuperação de parte dos movimentos perdidos”, informou Xavier.
O acidente vascular cerebral, principal causa de morte no Brasil, ocorre quando há um entupimento ou o rompimento dos vasos que levam sangue ao cérebro provocando a paralisia da área cerebral que ficou sem circulação sanguínea adequada.
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