30/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Mulheres indígenas criam associação em Tapauá com apoio do Governo do Amazonas

Publicado em 08 de maio, 2013

Após uma mobilização que durou quase dois anos, aproximadamente 60 mulheres indígenas dos povos Deni, Paumari, Apurinã e Katukina criaram, na região do médio rio Purus, a Associação das Mulheres Indígenas do Município de Tapauá (Amimt). A entidade é resultado de uma luta direcionada ao fortalecimento, conquista de espaço e participação nas discussões do movimento indígena naquela região do Estado Amazonas.

Falada na língua nativa, como forma de fortalecer a própria identidade, a assembleia que criou a Amimt foi realizada nos dias 1º e 2 deste mês, no salão principal da paróquia Santa Rita de Cássia, com apoio do Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind), e de outros parceiros como a Federação das Organizações Indígenas do Médio Purus (Focimp), Operação Amazônia Nativa (Opan) e Arquidiocese de Tapauá (a 450 quilômetros de Manaus).

A atividade faz parte das linhas de ação da câmara técnica “Melhoria da Qualidade de Vida dos Povos e Comunidades Indígenas”, do Comitê Gestor de Atuação Integrada entre o Governo do Amazonas e a Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Entre as principais reivindicações colocadas pelas indígenas durante a assembleia estão as relacionadas aos direitos dos povos indígenas, à qualificação profissional e o trabalho com o artesanato”, destacou a chefe do Departamento de Promoção dos Direitos Indígenas (Depi), da Seind, Rose Meire Barbosa. Além de acompanhar e assessorar todas as discussões, a secretaria apoiou o evento financeiramente.

Fortalecimento

A criação da Amimt em Tapauá também é fruto de outras experiências que deram certo no âmbito feminino do movimento indígena. É o caso da Associação das Mulheres Indígenas do Alto Rio Negro (Amarn) e do Departamento de Mulheres Indígenas da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn).

Eleita como primeira coordenadora da Amimt, Leonita Francisca da Silva, do povo Paumari, informa que a organização irá trabalhar com projetos que tratem das questões tradicionais e econômicas. “Teremos nossa primeira reunião no próximo dia 10 (sexta-feira), para elaborarmos o documento que iremos enviar à Seind e a outras instituições, que podem nos ajudar na elaboração dos projetos”, informou Leonita. “Vamos visitar as vinte e seis aldeias para divulgar a Amimt e ouvir sugestões das comunidades”, acrescentou a vice-coordenadora, Lídia Aiden Pereira, do povo Kokama.

Luta diária

Casada e mãe de quatro filhos, Leonita Paumari, de 29 anos, nasceu na aldeia Terra Nova (a 12 horas de voadeira de Tapauá) e revela que mantém uma luta diária em prol dos povos indígenas há anos. De acordo com a indígena, a Amimt representa uma conquista e, sobretudo, a voz das mulheres indígenas em Tapauá. “A gente vem lutando há muito tempo e sempre éramos incentivadas por pessoas de dentro da própria Casai (Casa de Saúde Indígena) a criar uma organização que nos representasse de forma legítima”, informou Leonita. “Esse é o nosso momento”, finalizou.

A coordenação da Amimt é formada ainda pela secretária Elaíne Vieira (kokama), a 2ª secretária, Suzane Trajano de Souza (apurinã), a tesoureira, Josilane Pereira de Queiroz (não indígena, mas esposa de indígena) e a 2ª tesoureira, Marinalva Maciel Saraiva (apurinã).

Veja mais notícias em Releases

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.