Detectar precocemente a hanseníase, através de métodos e ferramentas de alta sensibilidade, e aumentar a resolutividade dos casos de difícil diagnóstico da doença e daqueles em que o paciente apresente algum tipo de resistência medicamentosa, são os objetivos de um projeto de pesquisa que começa a ser executado no próximo mês, pela Fundação Alfredo da Matta (Fuam), órgão do Governo do Estado, que é referência no tratamento da doença. De acordo com o secretário de Saúde, Wilson Alecrim, o projeto foi aprovado no Programa Pesquisa para o Sistema Único de Saúde – Amazonas (PPSUS-AM) e será realizada com o apoio da estrutura do Laboratório de Biologia Molecular, da própria Fuam.
Com o título “Utilização de técnicas moleculares para suporte ao diagnóstico de casos difíceis de hanseníase, monitoramento de contatos e discriminação entre recidivas e reação e detecção de mutações associadas à resistência medicamentosa”, o projeto de pesquisa foi aprovado em fevereiro deste ano, na Chamada Pública nº 002/2012 lançada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com o Ministério da Saúde, o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e Secretaria de Saúde do Estado do Amazonas (SUSAM). O projeto será executado pelo período de dois anos, com um orçamento de R$ 300 mil.
Uma das grandes dificuldades para eliminação dos casos de hanseníase é o diagnóstico clínico precoce da doença, o que permite o início rápido do tratamento e, consequentemente, diminui as chances de maiores danos, como as incapacidades e deformidades. As reações medicamentosas também são um desafio e podem prejudicar o tratamento. De 20% a 50% dos pacientes apresentam algum tipo de reação, normalmente no início do tratamento, à poliquimioterapia (tratamento a base de múltiplas drogas). Com o projeto, os pesquisadores esperam reduzir estas dificuldades, além de obter dados estratégicos para a implantação desta metodologia na Fuam.
A técnica – Coordenado pela diretora de Ensino e Pesquisa da Fuam, médica Carolina Talhari Cortez, juntamente com pesquisadores do Núcleo de Pesquisa em Hanseníase da Fundação, o estudo visa implantar na rotina ambulatorial da instituição a chamada “reação de polimerase em cadeia quantitativa” (qPCR). A técnica é utilizada em laboratório de biologia molecular, para pesquisas médicas e biológicas, e permite tarefas como o sequenciamento de genes e diagnósticos mais eficazes.
Os pesquisadores acreditam que a técnica seja fundamental, pois permite diagnósticos rápidos e precisos, atendendo a necessidade de confirmação de casos de difícil diagnóstico da hanseníase, como a forma paucibacilar da doença. Por outro lado, também permite maior segurança no monitoramento dos pacientes e de seus contatos, ou seja, familiares ou pessoas que mantém contato diário e prolongado com um paciente de portador da doença.
Outra vantagem é que com o qPCR é possível realizar pesquisa e sequenciamento de DNA do Mycobacterium leprae (bacilo responsável pela hanseníase), permitindo a identificação de mutações associadas à resistência medicamentosa que alguns pacientes de hanseníase possam apresentar ao longo do tratamento.