O secretário municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade, Marcelo Dutra, fez um apanhado dos desafios enfrentados na gestão ambiental do município nos últimos quatro anos em palestra durante o Seminário Sobre Questões Socioambientais promovido pela Coordenação do Curso de Serviço Social, do Centro Universitário do Norte (Uninorte/Laureate). O evento ocorreu na última quarta-feira (31), no auditório Major José Areosa de Assunção. Marcelo Dutra ressaltou aos alunos a importância do planejamento das ações como estratégia para conter o processo de crescimento desordenado na cidade e lembrou o processo de formação dos bairros de Manaus, que nas décadas de 60 e 70 dizimou boa parte do patrimônio ambiental da cidade. O secretário lembrou também a importância dos governos na formatação de um modelo sustentável voltado para a realidade amazônica e que a atual gestão municipal se notabilizou por conseguir mobilizar as prefeituras dos países latino-americanos, em 2009, ao realizar, com a chancela da ONU, a Cúpula Amazônica de Governos Locais, evento que chamou a atenção para a questão da inclusão da Amazônia nas negociações de Mudanças Climáticas.
À custa do que chamou de “coitadocracia”, o secretário lembrou que grande parte dos recursos naturais que haviam na cidade foram destruídos para que invasões dessem lugar a bairros sem planejamento. Ele alertou que esse processo, hoje contido, com o trabalho de combate às invasões da Semmas, volta a ocorrer em cidades da Região Metropolitana de Manaus, entre elas Iranduba.
Dutra questionou o envolvimento dos governos com o desenvolvimento sustentável nas cidades da Amazônia, fator que, segundo ele, desde 1967, com o boom da Zona Franca, vinha fazendo a cidade crescer sem a capacidade de investimento do seu orçamento em melhorias, tendo em vista a necessidade de sempre ter que redimensionar os gastos em função das novas áreas invadidas que iam surgindo. O secretário ressaltou que desde 2009 o município adotou a política de efetivo combate às invasões, como primeiro passo dado na direção de um modelo de desenvolvimento sustentável, que respeite os recursos naturais e faça a cidade crescer de forma ordenada. De 2009 até agora, a Semmas impediu o surgimento de 157 invasões na cidade.
O secretário observou que hoje os bairros surgidos a partir de invasão não possuem, em sua maioria, moradores que protagonizaram o processo de ocupação. Ele citou o exemplo do Parque São Pedro, antiga invasão da Carbras, na Zona Norte, o último bairro criado na cidade a partir de invasão. “Em pesquisa por amostragem, que eu mesmo realizei, foi possível constatar que não se encontra mais 80% dos primeiros moradores”, afirmou. Os estudantes que compareceram ao auditório Major José Areosa de Assunção aproveitaram a oportunidade para fazer perguntas ao secretário sobre os desafios da gestão, os resultados obtidos e o processo de desenvolvimento sustentável no interior do Estado.
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