Integrantes do Museu da Amazônia (Musa) realizaram uma oficina em São Gabriel da Cachoeira, em comemoração à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, quando inauguraram um observatório solar indígena, dia 19/10. Autoridades e banda local estiveram presentes, bem como alunos e professores, numa cerimônia que incluiu ritual realizado por pajé da etnia tukano.
Cerca de 15 professores e coordenadores de escolas indígenas de diversas etnias participaram da oficina, representando cerca de 100 escolas do médio e alto rio Negro.
Na primeira atividade, eles montaram um pluviômetro usando garrafas pet, sob a orientação da bióloga Thaysa Nadal, que coordenou a montagem do instrumento. “O pluviômetro pode ser deixado na escola e vocês podem manter com os alunos um caderno de anotações registrando ao longo do ano as variações da chuva”, disse Nadal.
Também foi apresentado, na oportunidade, o projeto do Jornal Natural, desenvolvido pelo Musa. Os professores assistiram ao primeiro episódio do programa e discutiram com a coordenadora da iniciativa, Mariana Ferraz, como utilizar a série em sala de aula. “Foi muito interessante, porque eles trouxeram outras abordagens para aquilo que estava sendo mostrado, particularmente, sobre como combinar a visão da ciência ocidental com o conhecimento que eles detêm”, disse Mariana.
Aos professores também foi apresentada toda a parte conceitual e teórica relacionada ao observatório solar. A atividade, conduzida por Germano Afonso, demonstrou um pouco da concepção de seus povos sobre o observatório.
O professor Júlio Tota, da EUA, contou com a ajuda do mestre em clima e ambiente Veber Moura para apresentar o funcionamento de uma estação meteorológica. Eles discutiram com os professores como associar o conhecimento ocidental do tempo e do clima com o conhecimento tradicional. Sebastião Tukano, do baixo rio Negro, revelou que os Baniwa e Curipaco viam o mundo através da observação do céu e suas constelações. O repasse desse conhecimento é feito oralmente e muitos deles se perdem.
O professor das redes estadual e municipal, que esteve representando 15 escolas, Franchinote Wanano, também deu testemunho tocante. “Meu velho pai olhava para a constelação e sabia se teria verão ou não, e eu não dava importância, agora que estou atentando!”
Ismael Tariano, professor e especialista em gestão escolar, disse que fez o que aprendeu quando era criança. “E depois aprendi mais: escrevi algumas coisas sobre as histórias mitológicas do povo Tariano. Hoje estou na cultura da Prefeitura de São Gabriel”.
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