13/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Amazonas leva segunda menor delegação às Paralimpíadas Escolares, mas atletas chegam a SP cheios de esperanças

Publicado em 16 de outubro, 2012

O Amazonas participa com 13 atletas, desde hoje, das Paralimpíadas Escolares, em São Paulo, capital, levando esperanças e histórias de superação na bagagem. A delegação amazonense é a segunda menor, entre os 24 Estados e o Distrito Federal, só superando os seis do Mato Grosso, entre os 1.967 participantes. A maior delegação é do Estado anfitrião, São Paulo, com 197 integrantes. A competição encerra dia 20/10.

Delegação paralímpica amazonense nas Paralimpíadas Escolares 2012, durante chegada a São Paulo. Fotos: Emanuel Mendes Siqueira

Delegação

Joaquim Manoel Pinheiro Filho (chefe de delegação, fisioterapeuta e técnico)

Maria das Graças Fonseca Amorim (treinadora)

Andréia Nazarena Almeida dos Santos Thompson (treinadora)

Antonio Marinho Cordovil (treinador)

Emanuel Mendes Siqueira (jornalista)

 

Atletismo

1 – Felipe Correa Lopes (E.E. Presidente Castelo Branco)

2 – Brendow Christian de Souza Moura (E.E. Professor Francisco das Chagas de Souza Albuquerque)

3 – Hudson Silva Linhas (E.E. Estelita Tapajós)

4 – Rivander Santos da Silva (E.M. Professora Marly Garganta)

5 – Vinícius Silva Nascimento (Sesc José Roberto Tadros)

6 – Elielton Lira de Oliveira (E.E. Francelina Assis Dantas)

7 – Gabriela Pereira da Silva (Centro de Educação de Jovens e Adultos Professora Jacira Caboclo)

8 – Fernanda Barros Ferreira (E.E. Professora Hilda Tribuzy)

 

Natação

1 – Vitor Manuel Pinto Viana dos Santos (E.E. Padre Pedro Gislandy)

2 – Mozandi Fernando Gomes de Castro (E.E. Nathália Uchoa)

3 – Mateus Nogueira Ramos (E.E. Professor Ferreira Lima)

4 – Eric Costa Faria (E.M. Jornalista Sabá Raposo)  – NÃO VIAJOU

5 – Gabriel Brandão da Silva (E.M. Professor Álvaro Valle)

6 – Ana Stefany Leite Gomes (C.E. Maria Edna Cantuária dos Reis)

 

Conheça abaixo as histórias de alguns dos integrantes do time amazonense:

 

Paralisia cerebral

Rivander Santos, 18 anos, filho do aeroviário Edivaldo Martins da Silva, 45, morador do Monte Pascoal, na Zona Norte de Manaus, nasceu com paralisia cerebral e estava fazendo fisioterapia quando o fisioterapeuta percebeu que leva jeito para o esporte. Levado ao Centro de Treinamento de Alto Rendimento da Amazônia (Ctara), na Vila Olímpica de Manaus, ele passou a treinar com o professor Joaquim Filho. Nas Paralimpíadas Escolares de 2011, Rivander conquistou a medalha de ouro no arremesso de peso (5,90m) e a prata no lançamento da pelota (34m).

Rivander usa o arremesso de peso para melhorar no tratamento da paralisia cerebral

“O esporte melhorou meus movimentos”, diz o paraatleta, que virou um herói no Monte Pascoal. “Meu objetivo agora é ganhar o bicampeonato”, emenda ele, driblando a dificuldade na articulação das palavras. “Ele também está mais disciplinado e tem evoluído em todos os sentidos”, acrescenta o pai, que está em São Paulo dando força e torcendo pelo herdeiro. “Meu sonho é vê-lo disputar as Paralimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro”.

Rivander cursa o 9º ano na Escola Municipal Marly Barbosa Garganta, no bairro Terra Nova, Zona Norte.  “Adoro as aulas de Educação Física e Matemática”, afirma, em seu 1,83m de altura e 93 kg de peso.

 

Falta de coordenação

A campeã da delegação amazonense, Gabriela Pereira da Silva, 15 anos, participa das paralimpíadas pela terceira vez. Em 2010, ela ficou com o ouro no lançamento da pelota e o bronze no salto em distância. Em 2011, faturou os títulos nas provas do arremesso do peso, lançamento da pelota e salto em distância. “Quero mais medalhas. Treinei muito antes da viagem”, diz Gabriela, que dá os primeiros passos na vida escolar no Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja) Jacira Caboclo, perto do T1, na Avenida Constantino Nery.

Gabriela supera a falta de coordenação motora conquistando medalhas

Gabriela tem sequelas de uma hemiplegia (falta de coordenação motora no lado direito do corpo e luta contra a doença treinando no Ctara. “O esporte está me ajudando a superar as minhas dificuldades físicas. Também ganhei novos amigos”, enfatiza.

 

Amputado acima do joelho

Vinícius Silva Nascimento, de 14 anos, teve a perna amputada acima do joelho, em 2010, para retirada de um tumor ósseo na perna direita. “O esporte é um bom meio de conhecer as pessoas, fazer amizades. Antes já era, pois eu praticava futsal, agora muito mais por causa da minha amputação. As Paralimpíadas Escolares são como um renascimento pra mim”, sintetiza o garoto, que conquistou os Jogos Escolares do Amazonas e garantiu a classificação para disputar a competição nacional.

Vinícius renasce com a participação nas Paralimpíadas Escolares, após a amputação acima do joelho

Vinícius disputará as provas de arremesso do peso, lançamento da pelota e salto em distância. “Meu objetivo é voltar para Manaus com muitas medalhas, de preferência de ouro”, afirma.

Segundo o pai do atleta, o estudante de Arquitetura Thiago Nascimento, 33, a ida de Vinícius às Paralimpíadas é uma volta por cima. Em maio de 2010, a família descobriu que o garoto tinha um câncer na perna direita, mais precisamente um osteossarcoma. “Inicialmente, ele foi operado no hospital Joãozinho (em Manaus), com suspeita de uma osteomelite (infecção óssea). Vinte dias depois, porém, foi constatado que era câncer. Nossa vida mudou a partir de então”, lembra Thiago.

O tratamento foi feito no Hospital Boudrinne, em Campinas, especializado em câncer infantil. A família mudou-se para o interior paulista, largando emprego e estudos. Tudo pela recuperação do campeão. “Ele foi amputado em setembro de 2010, após passar por quatro sessões de quimioterapia”. Após a cirurgia, a família voltou para Manaus, onde Vinícius passou a praticar natação e atletismo, sob a coordenação do professor Joaquim Filho, chefe da delegação amazonense em São Paulo. Simultaneamente, cursa o sétimo ano do Ensino Fundamental no Centro Educacional do Sesc, no conjunto Campos Elíseos, Zona Centro-Oeste.

 

Sem o fêmur

Com três medalhas conquistadas ano passado, Hudson Silva Linhares, de 15 anos, é uma das esperanças do atletismo amazonense. “Quero repetir o desempenho de 2011, quando ganhei três medalhas de ouro na classe F-42 (lançamento da pelota, arremesso do peso e salto em distância). Vou competir este ano nas mesmas provas”, afirma o estudante do 9º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Estelita Tapajós, no bairro de Educandos, Zona Sul de Manaus. “Quero ganhar essa medalha pra homenagear minha namorada, Luane Castro”, completa o jovem flameguista.

Hudson Linhares, chegando a São Paulo, cheio de otimismo apesar da ausência do fêmur

Hudson nasceu com uma deficiência física na perna direita (não tem o fêmur) e treina na Vila Olímpica há dois anos. Sua meta para este ano é, também, garantir a classificação para o Norte-Nordeste de Atletismo Paralímpico. “Se eu for ao Norte-Nordeste, posso concorrer ao programa Bolsa-Atleta do Governo Federal”, explica o atleta, que mora no São Lázaro, Zona Sul.

 

Cego com tiro na cabeça

Elielton Lira de Oliveira, de 16 anos, teve uma infância ruim, próxima ao tráfico de drogas, e acabou levando um tiro na cabeça que o deixou cego. “Quero esquecer isso e bola pra frente”, afirma, enfatizando que “as Paralimpíadas são meu recomeço”. “Desde 2011 comecei a praticar esporte na Vila Olímpica e minha vida já começou a mudar”, disse ele, que disputará as provas do lançamento do dardo, arremesso do peso e salto em distância.

Elielton Lira lamenta o passado próximo do tráfico de drogas e o tiro que o deixou cego, mas agora só pensa em “bola pra frente”

 

Artroglipose

O enorme sorriso com que recebe as pessoas mostra a alegria que o esporte proporciona a Victor Manoel dos Santos, de 12 anos, também integrante da delegação amazonense nas Paralimpíadas Escolares. “Estou aqui para fazer história e vou dar o máximo de mim nas três provas que vou disputar”. Ele vai competir no atletismo e na natação.

O sorriso e a confiança na vitória de Victor Manoel são contagiantes. Ele tem os músculos das pernas fracos, mas é um campeão da natação

Ano passado, Victor conquistou duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze na natação, chamando atenção dos observadores do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). Tratado com promessa do esporte nacional, o morador da Compensa, Zona Oeste, não foge da responsabilidade. “Meu pensamento aqui é ganhar. Não tem como ser diferente”, enfatiza o paratleta, que disputará as provas de 50m e 100m livre, e 100m medley.

Victor cursa o 7º ano do Ensino Fundamental na Escola Estadual Padre Pedro Gislandy, na Compensa. No dia 1º de agosto, ele encantou o público na Arena Amadeu Teixeira, em Manaus, durante a solenidade de acendimento da pira dos Jogos Escolares do Amazonas. Caminhando lentamente, por causa da deficiência nos membros inferiores, ele desfilou pelo ginásio, levando parte do público presente às lágrimas.

“Entrei no esporte por causa da minha deficiência (artroglipose, a deformidade nas articulações e músculos fracos). Os médicos indicaram a natação como fisioterapia, mas acabei me apaixonando pelo esporte e hoje tenho o objetivo de conquistar mais medalhas”, encerra o campeão. Da vida e do esporte.

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