Quatorze meninos e meninas da etnia Kokama da comunidade Nova Betânia, em São Paulo de Olivença (Amazonas), formam o grupo de estudantes que participam, a partir de hoje, de oficinas de comunicação, cujo objetivo é fortalecer a participação dos jovens na promoção dos direitos dos povos indígenas e segurança alimentar e nutricional.
Os jovens Kokama se unem a outros 28 jovens Ticuna das comunidades de Umariaçu (Tabatinga) e Filadélfia (Benjamin Constant) que já estão conhecendo ferramentas de comunicação, com o propósito de registrar fatos locais relacionados ao direito humano à alimentação adequada e à Convenção nº 169 sobre Povos Indígenas e Tribais da OIT. Os grupos estão realizando entrevistas e fotografando profissionais, lideranças, mulheres, crianças e jovens de suas próprias comunidades, além de parceiros que também são fonte de informação.
As oficinas seguem até o dia 13 de novembro de 2012. Após esta data, os 42 jovens Ticuna e Kokama capacitados atuarão como multiplicadores, compartilhando o que aprenderam com outros estudantes da rede municipal de educação indígena. A sustentabilidade das oficinas está sendo garantida por meio de parceria do UNICEF com as prefeituras municipais de Tabatinga, Benjamin Constant e São Paulo de Olivença, além de outros parceiros locais, como FUNAI Alto Rio Solimões; DSEI Alto Rio Solimões; lideranças indígenas das três comunidades (Umariaçu, Filadélfia e Colônia São Sebastião), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Instituto Federal do Amazonas (IFAM), Rádio Nacional Alto Solimões, OGPTB (Organização Geral dos Professores Ticuna), Museu Maguta e ACIK/SPO (Associação das Comunidades Indígenas Kokama de São Paulo de Olivença).
A iniciativa faz parte do Programa Conjunto de Segurança Alimentar e Nutricional de Mulheres e Crianças Indígenas no Alto Rio Solimões (AM) e em Dourados (MS) – PCSAN, que visa contribuir para a garantia dos direitos à saúde e à alimentação saudável para a população indígena das duas regiões prioritárias.
O Programa Conjunto tem sido realizado, desde 2010, por cinco organismos das Nações Unidas (FAO, PNUD, OPAS/OMS, OIT e UNICEF), em parceria com o Governo Brasileiro, representado pela Fundação Nacional do Índio (Funai); Ministério da Saúde (MS); Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) e Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
A iniciativa conta com o financiamento do Fundo das Nações Unidas para o Alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (MDG-F), e parcerias com instituições públicas locais, universidades, entidades da sociedade civil, lideranças e organizações indígenas envolvidas na implementação das ações.
“Acreditamos no potencial dos jovens indígenas como disseminadores de direitos humanos e agentes de transformação em suas comunidades, a partir da criação e divulgação de produtos de comunicação que relatem informações de interesse dos povos indígenas relacionados à saúde e à segurança alimentar e nutricional”, ressalta a Coordenadora do Programa de Sobrevivência & Desenvolvimento Infantil, HIV/aids do UNICEF e responsável pelo PCSAN, Cristina Albuquerque.
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