Com o objetivo de dotar o território amazonense de profissionais locais, devidamente qualificados para atuar nas academias, na arqueologia de contrato, ou mesmo na gestão do patrimônio arqueológico, a Universidade do Estado do Amazonas (UEA) iniciou, em 2009, a primeira turma do curso superior em Tecnologia em Arqueologia.
Considerando que desde a sua criação o curso de Arqueologia possui todos os aspectos legais para passar à modalidade de Bacharelado, o Conselho Universitário da UEA, aprovou esta semana a mudança na nomenclatura. Dessa forma, passará a ser curso de Arqueologia na modalidade Bacharelado e a primeira turma, com graduação até o fim deste ano, já será beneficiada.
Segundo a coordenadora pedagógica do curso, professora Arminda Mendonça de Souza, existem apenas 11 cursos de graduação em todo o País. “A proposta de alteração da modalidade servirá para alinhar a UEA às demais Universidades que oferecem capacitação nesta área do conhecimento. A medida possui extrema importância para a nossa região, principalmente se levarmos em consideração a quantidade expressiva de sítios arqueológicos pré-coloniais, coloniais e históricos existentes no Estado do Amazonas”, explica a coordenadora.
A notícia foi recebida com alegria pela comunidade acadêmica da UEA em Iranduba, cidade onde o curso é ofertado. Para a aluna do 7º período, Lorena Castro, 22, a medida amplia as áreas de atuação do profissional gerando novas oportunidades. “Estou muito feliz com essa mudança, até porque desde o início nossa carga horária e grade curricular nos davam condições de possuirmos o grau de bacharel. Foi um grande alívio já que agora teremos novas opções para atuar na profissão”, afirma Lorena.
A turma iniciou com 30 alunos e hoje possui 17, todos vitoriosos na opinião da futura arqueóloga. “Temos uma turma muito diversificada e lutamos muito para chegar nessa reta final. Muitos, assim como eu, tinham uma visão romântica da arqueologia no início. Hoje pensamos totalmente diferente e estamos cheios de planos para o futuro”, comenta.
Parte desses planos refere-se à ingresso em mestrado na área e desenvolvimento de projetos em sítios arqueológicos do Estado. “O Amazonas tem uma vasta extensão territorial e pretendo explorar esse potencial. Hoje atuo em projeto acadêmico investigando sobre o processo de formação do sítio Pontão Silves. Depois de formada, serei arqueóloga do Amazonas”, declara com convicção.
Área de atuação
O profissional egresso do curso de bacharelado em Arqueologia da UEA será capaz de produzir conhecimento novo sobre as sociedades produtoras de vestígios históricos e estabelecer inferências com relação às sociedades contemporâneas. O egresso poderá executar atividades básicas do “fazer arqueológico”, como levantamento, escavação e registro de sítios arqueológicos e suas paisagens locais e do entorno, além de também ser capaz de decodificar as informações contidas nesses vestígios e os processos de constituição de ordem cultural dos mesmos.
Também será capaz de realizar todas as etapas de análise desses vestígios em laboratório, processo que envolve a triagem, limpeza e conservação, marcação, inventário, identificação e classificação dos mesmos, levando em consideração suas três dimensões principais: tecnológicas, funcionais e estilísticas. Além disso, também atuará na difusão do conhecimento pela via da Educação Patrimonial, Musealização, gestão curadoria do Patrimônio Arqueológico, bem como do Turismo Arqueológico.