Lisboa – O trânsito em Manaus é um, no período de férias, e outro, após o início das aulas. É torturante para o manauara a constatação de que, nos próximos quase cinco meses, terão que acordar mais cedo para levar os filhos à escola ou chegar ao trabalho e, invariavelmente, enfrentarão engarrafamentos, buzinaços e cara feia de chefes, diretores e professores por conta dos atrasos.
Manaus cresceu. Precisa de mais e mais obras infraestruturais.
Fiz algumas ações, quando fui prefeito (1989-1992), para desfazer pontos de congestionamento e melhorar a fluidez do trânsito.
A Estrada da Cidade Nova foi duplicada e passou a se chamar Max Teixeira, em face dos acidentes diários que ocorriam na via de duas pistas, com mão e contramão, sem canteiro central, que servia a todo aquele enorme conjunto habitacional e aos bairros próximos, antes da via atual que construímos.
A avenida Djalma Batista, que terminava na Recife, embaixo do atual viaduto Ayrton Senna, foi estendida naquele trecho que passa em frente ao Carrefour, até o reencontro com a Torquato Tapajós, na cabeceira do Aeroclube. Fiz as desapropriações e iniciei a terraplanagem dessa obra.
Retirei as palafitas do igarapé do Franco e dupliquei a Avenida Brasil. Asfaltei a Grande Circular. Também deixei traçado o planejamento para a extensão da avenida Darcy Vargas, hoje avenida Theomario Pinto da Costa, e a ampliação da caixa de circulação da avenida Constantino Nery.
Manaus assistiu a um raro fenômeno político que possibilitou a implantação do corredor viário da Darcy Vargas, da Estrada da Ponta Negra à Bola do Coroado. Os ex-prefeitos Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Alfredo Nascimento, Serafim Corrêa e agora novamente Amazonino construíram, juntos, viadutos e passagens de nível que concretizaram a obra.
Foi um momento único. A cidade, porém, precisa de algo assim, acima dos políticos e da política, para poder resolver os problemas gigantescos que surgiram, e que têm o trânsito como maior exemplo.
A capital paranaense, Curitiba, é o paradigma de gestão e planejamento do Brasil. Conseguiu tal feito ao criar o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Curitiba (IPPUC), em 1º de dezembro de 1965, oferecendo aos seus integrantes o poder de veto a qualquer obra municipal. Prefeito nenhum quebrou esse princípio.
A Universidade de Harvard, voltando ao tema da volta às aulas, reuniu um grupo formado por engenheiros, físicos nucleares, psicólogos, psiquiatras, pedagogos, médicos, gente altamente qualificada nos mais variados ramos de atividades, enfim, para discutir o melhor sistema educacional.
O grupo condena práticas como os professores que proíbem consultas durante as provas e a ênfase no ensino de operações mecânicas, como cálculos matemáticos, no lugar de mostrar os meandros da calculadora científica.
Visitaram fábricas, escritórios, variados ambientes de trabalho. Não viram nada que lembre uma sala de aula. Concluíram que os alunos estão sendo educados para… nada. A educação formal atual perdeu o compasso com a vida moderna.
Quando a gente pensa em planejar Manaus, não pode deixar de pensar em novos caminhos para a educação. Até por ser tão grande o sacrifício que se faz em nome dela.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus