16/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Alunos de Biotecnologia de UEA e Fucapi constatam coliformes fecais em 100% de tucumã em lascas

Publicado em 13 de fevereiro, 2012

Os alunos do curso de Biotecnologia da Fundação Centro de Análise, Pesquisa e Inovação Tecnológica (Fucapi) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) constataram, em recente estudo, a presença de coliformes fecais em 100% das amostras de tucumã em lascas coletadas em Manaus. Os consumidores devem ficar atentos na hora da alimentação fora ou dentro do lar, para evitar as chamadas doenças transmitidas por alimentos (DTA), dizem os especialistas em ciências biológicas e tecnologia do alimento.

O tucumã em lascas vendido em Manaus precisa passar por cuidados especiais

Durante o 1º Curso de Capacitação em Boas Práticas na Manipulação de Alimentos, encerrado pela Fucapi na sexta-feira à noite, 30 trabalhadores da área, como microempresários, feirantes, ambulantes e comerciantes de tucumã in natura receberam informações a respeito. Defensores do consumo de frutos regionais, como tucumã, açaí, castanha e pupunha, os profissionais advertem sobre os cuidados necessários para o manuseio, armazenamento e preparo destes e outros alimentos.

Aparentemente inofensivo, o ‘x-caboquinho’ do lanche da esquina ou mesmo o produto in natura, manuseado de maneira inadequada, pode representar riscos à saúde de quem compra, segundo afirma a professora do Curso Técnico de Biotecnologia da Fucapi, Eneida Nascimento, doutora em Ciências Biológicas pela Universidade Federal Rural da Amazônia. “É preciso combater essa cultura de ‘o que não mata, engorda’, com muito esclarecimento”, enfatiza.

“Ao consumir alimentos, as pessoas devem observar as condições de higiene do local, da pessoa que está vendendo o item e a aparência do produto. No caso de quem faz o manuseio do alimento é preciso ter, sempre, mãos bem limpas, usar luvas de preferência, cabelos amarrados, nada de adornos e nunca pegar em dinheiro”, destaca Eneida Nascimento. Em relação ao tucumã in natura, diz ela, é importante o consumidor evitar levar para casa um fruto escurecido, batido e, principalmente, aqueles em que as pessoas cravaram as unhas para verificar se há bastante polpa. “Através da unha, milhões de micróbios nocivos à saúde podem ser transferidos para o alimento”, afirma.

Participante do curso, o vendedor de tucumã in natura e em lascas Francisco da Silva, 62 anos, disse que comercializa, em média, duas sacas do produto, por semana. Mesmo já tendo adotado alguns cuidados para o armazenamento e comercialização do fruto, ele disse que irá redobrar a vigilância, inclusive, para ampliar a atividade. “Vou vender, também, macaxeira, banana e verduras, com todos os cuidados necessários de higiene, para conquistar mais clientes”, afirma.

 

Infecção pode matar

O coordenador do curso Superior de Tecnologia em Alimentos da UEA, Carlos Victor Bessa, convidado para ministrar parte do curso, explica que a DTA mais comum é a chamada infecção alimentar. “Em 30 minutos, a pessoa sente os efeitos de uma infecção, que se manifesta através de sintomas como vômito, dores abdominais, diarreia, náuseas e, febre, em alguns casos”, diz. Segundo ele, os alimentos que mais causam DTA são ovos mal cozidos ou crus (especialmente usados no preparo de maionese caseira), carne vermelha, sobremesas, água, leite, entre outros.

De acordo com Bessa, alimentos contaminados pela bactéria Clostridium botulinun podem ocasionar um tipo de intoxicação alimentar fatal, o botulismo, que pode matar em até duas horas. O cuidado deve ser na hora de consumir alimentos em conserva ou embutidos, onde não circulam oxigênio e a bactéria se reproduz.

“As salsichas, por exemplo, devem ser cozidas até estourar, para garantir que atingiram temperatura acima de 100º, na qual é possível eliminar a maioria das bactérias, entre elas, a causadora do botulismo”, justifica. Os enlatados exigem cautela. A dica é nunca comprar latas amassadas. “Liberam substâncias altamente tóxicas ao organismo”, esclarece.

A compra de alimentação em vias públicas eleva o risco da pessoa adquirir uma DTA. “Só o fato de ser uma barraca em um local aberto, o alimento está sujeito à poeira da rua, que traz milhões de micróbios”, ressalta. Para assegurar a saúde, a regra é segurar a fome até chegar um local mais adequado e evitar o famoso “churrasquinho de gato” e a “banca de café da manhã no meio da rua”.

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