Esta semana foi divulgado amplamente pela imprensa que as autoridades públicas que combatem diretamente o tráfico de drogas e o crime organizado em Manaus estão vivendo sob fortes ameaças de morte.
É triste ver que essas autoridades precisam reorganizar suas vidas de uma maneira brutal para exercer suas atividades de profissão e o dia a dia, com ou sem a família. O juiz Mauro Antony precisa andar com seguranças armados porque pode sofrer um atentado, quando estiver comprando pão na padaria por exemplo. Seria simples se o juiz tivesse um perfil de justiceiro, como nos filmes, sem família, sem destino, sem rumo, mas não é. É um cidadão comum, como qualquer um de nós, com parentes, residência fixa, contas a pagar, e paga um preço muito alto pela profissão que escolheu.
Na mesma situação estão promotores, delegados, policiais, agentes e investigadores que combatem o crime e o tráfico em Manaus, similar em diversos locais do mundo. No Rio de Janeiro, a juíza Patrícia Acioli Lourival foi assassinada no dia 12 de agosto, enquanto dirigia seu carro, em Niterói, sendo alvejada por 21 tiros. Ela fazia parte de uma lista com 12 nomes marcados para morrer, pois combatia com atuação rigorosa o crime organizado e enfrentava policiais com desvio de conduta.
Casos semelhantes acontecem em todo lugar do Brasil e do mundo, pois o crime organizado marca seus alvos, suas rotinas, família e amigos. Pior é saber que muitas dessas ameaças não partem de quem está livre, com medo de ser preso, mas de quem está preso buscando sua liberdade.
É importante que as ameaças às autoridades não sejam ignoradas ou tratadas como trotes. É preciso dar a chance das pessoas que se esforçam pra defender a sociedade se protegerem do crime organizado.
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* Pauderney Avelino é deputado federal (DEM-AM).