02/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A invenção do Distrito Industrial do Amazonas

Publicado em 16 de novembro, 2011

As máquinas foram inventadas para facilitar a vida dos homens. Desde a revolução industrial, iniciada na Inglaterra em meados do século XVIII, os trabalhadores vêm se servindo delas para a redução da intensidade da força física aplicada às tarefas empreendidas, antes atribuídas às ferramentas e às exigências musculares dos trabalhadores. Na teoria, essa seria a função principal das engenhocas criadas para dinamizar a indústria que viria a se desenvolver a partir dessa época.

Séculos depois, inventaram o Distrito Industrial do Amazonas, com o objetivo de dinamizar o desenvolvimento da indústria na região, levando a força de trabalho ociosa, oriunda dos portos de lenha, para as dinâmicas linhas de montagem das reluzentes indústrias vindas do Sul e de fora do País. Em poucas décadas, no entanto, as próprias indústrias conseguiram diluir a teoria da Revolução Industrial e transformar o conceito de eficiência mecânica em ferramenta de risco e de morte para os trabalhadores do Estado. As estatísticas são preocupantes: o Distrito Industrial do Amazonas vem mantendo índices crescentes de acidentes de trabalho, inclusive com alguns deles fatais.

A epopéia da oferta de mão de obra e as inúmeras vagas nas linhas de montagens transformaram o comércio, a cidade, o Estado em pólo de desenvolvimento. Até aí, continuamos aplaudindo e defendendo o modelo Zona Franca de Manaus, mas batemos de frente no que diz respeito à falta de cuidados com a segurança, a saúde e a alimentação do trabalhador. Nesses quesitos, o Sindicato dos Metalúrgicos tem sido sistemático e exigente.  Vem acionando o Ministério Público do Trabalho para que faça a revisão periódica das máquinas, vem mostrando a insuficiência de calorias na alimentação servidas nos restaurantes das empresas, tem exigido que as empresas sejam mais transparentes ao apresentarem o novo PPA (Plano Plurianual), e que as engenharias de produção não alterem os resultados.

Os acidentes de trabalho, na maior parte das vezes, acontecem por negligência das empresas, que não cumprem as normas de segurança e não agem preventivamente. Os ambulatórios médicos das indústrias não têm ambulâncias, médicos e enfermeiros suficientes. Tem polícia, mas falta estrutura de saúde e, com isso, obriga o trabalhador a recorrer ao atendimento mais fácil: o Hospital João Lúcio. Ou seja, a responsabilidade das empresas está recaindo sobre o Estado, que já contribui com incentivos e redução de impostos, mas, também não fiscaliza. Por conta disso, os acidentes de trabalho aumentaram mais de 50% de 2010 para 2011.

O recente falecimento do trabalhador Valdemir Correa da Silva, na fábrica FCC, esmagado por uma máquina sem manutenção, suscitou a discussão sobre o tema. Mas, não é só o acidente fatal que reacendeu a nossa indignação, também, as sucessivas denúncias de novos casos de doenças ocupacionais e, o que é pior, a demissão de trabalhadores acometidos por problema de saúde, adquirido nas fábricas onde trabalham. Nós, do Sindicato dos Metalúrgicos, não vamos aceitar o desleixo da fiscalização do trabalho nas empresas do Distrito Industrial. Não temos o poder de punir, mas podemos exigir das autoridades competentes o fiel cumprimento das normas de proteção ao trabalho e acompanhar “in loco” a execução da fiscalização.

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.