Neste fim de semana estive em três cidades do Alto Solimões: Tabatinga, Benjamin Constant e Atalaia do Norte. Sempre costumo dizer que não existe administração remota, ou seja, à distância, e é preciso visitar o interior para conhecer a realidade e propor soluções que realmente ajudem a população local e não tentar implementar e exigir que programas “enlatados” funcionem em todas as cidades sem respeitar suas condições geográficas, demográficas, etnográficas e suas peculiaridades.
Nessa visita pude constar que as três cidades distantes e isoladas possuem os mesmos problemas de muitas cidades brasileiras. Durante uma entrevista na Rádio Nova Onda, de Benjamin Constant, pedi a participação dos ouvintes para saber se é cumprido o piso salarial dos professores de R$ R$ 1.187,97 (40 horas) no município. Bastou pedir que o telefone da rádio não parou de tocar, com muitos professores, que não gostariam de ser identificados, com medo de represálias, informando que o piso não é cumprido no município.
Em Atalaia do Norte, após pegar a estrada, reuni com lideranças locais, ouvindo mais críticas à administração local e de novo o medo de represálias ficou evidente. De volta a Tabatinga, fui ao encontro de mais líderes políticos e comunitários. No encontro estiveram vereadores e representantes da tribo dos Tikunas. Mais uma vez, a população mostrou revolta em relação à postura autoritária do prefeito, e afirmou que quem não segue as determinações do mesmo é passível de punição. Eles lembraram o assassinato do radialista Waldemir, morto em setembro deste ano, com 8 tiros e sem pistas dos culpados do crime.
Vemos nos noticiários que a área do Alto Solimões é dominada pela violência e pelo tráfico. Precisamos reverter esse quadro, pois toda vez que vou a essa região, da qual gosto muito, vejo mais oportunidades com o turismo, com a indústria da pesca e madeira certificada do que com o tráfico e a criminalidade como fonte de renda.
Veja mais notícias em Colunas
* Pauderney Avelino é deputado federal (DEM-AM).