15/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A luta é antiga, o tema atualíssimo

Publicado em 03 de novembro, 2011

A luta por igualdade de oportunidades e remuneração entre mulheres e homens no mercado de trabalho é um tema que está na mesa de discussão da Central Única dos Trabalhadores, desde 2009, em parceria com as principais entidades de defesa das mulheres no Brasil. No Amazonas, a entidade vinculada a essa proposta é o Sindicato dos Metalúrgicos, que tem sob seu guarda-chuva nada menos que 80 mil trabalhadoras em todos os setores da indústria do Polo Industrial de Manaus (PIM).

Dos 120 mil trabalhadores do Distrito Industrial, 65% são mulheres, com quase sua totalidade trabalhando nas linhas de montagem. Embora tenha domínio numérico no parque industriai, as mulheres não conseguiram reverter para si os cargos executivos e técnicos, que geralmente são reservados aos homens. Mais ainda nas indústrias coreanas, onde o registro de mulheres é sempre em número muito inferior aos dos homens. Para se ter uma ideia, o Polo de Duas Rodas de Manaus emprega 35 mil trabalhadores, dos quais apenas 30% são mulheres. Nessas fábricas, de predominância asiática, até pela formação cultural de seus povos, as mulheres são vistas como “auxiliares” da supremacia masculina.

O Sindicato dos Metalúrgicos quer interferir nesses valores culturais, que ultrapassaram as fronteiras do País e estão deixando marcas, ainda bem que reparáveis, a despeito das conquistas sociais e dos dispositivos legais que postulam a igualdade de direitos entre homens e mulheres. Essas conquistas estão inseridas na Convenção Coletiva da categoria, que visa a igualdade de oportunidade e salários entre aqueles que desempenham a mesma função com o mesmo tempo de experiência.

Numa avaliação geral, os números do PIM não são favoráveis ao sexo feminino, embora conste nos registros do Sindicato dos Metalúrgicos níveis de qualificação das mulheres iguais aos dos homens. No sentido inverso, vimos observando o crescente desempenho das mulheres em todos os setores da sociedade civil, inclusive o da Presidência do Brasil e de outras lideranças femininas mundiais.

A campanha de igualdade de oportunidade na vida, no trabalho e no movimento sindical proposto pela CUT, pretende, assim, enfrentar as diferentes dimensões da desigualdade entre homens e mulheres e a consequente discriminação por gênero. Assim sendo, não aceitará que haja diferenças salariais e de função nas novas contratações feitas por empresas do Distrito Industrial do Amazonas, ou qualquer outra forma de tratamento diferenciado.

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Autor
Valdemir Santana

* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.

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