A luta para que as empresas dos transportes urbanos não ajustem as suas tarifas é uma necessidade da população, uma exigência da Central Única dos Trabalhadores (CUT-AM) e uma proposta dos movimentos sociais do Amazonas. Só não podemos fazer do aumento das passagens de ônibus em Manaus o cavalo de batalha da elevação dos preços no Estado.
Além dos 22% de ajuste das tarifas dos ônibus, os manauaras viram subir 20% no preço do pãozinho, 40% de aumento do trigo importado com o dólar em queda, aumento 0,52% na cesta básica antes da 1ª quinzena de outubro, com o preço da gasolina misteriosamente oscilando para cima, sem nenhuma elevação na refinaria ou na bolsa de petróleo mundial, aumento de 7,69% nos planos de saúde, aumento no valor do vestuário, 10% de aumento das mensalidades escolares, aumento da tarifa de água e esgoto, mais o aumento de até 30% no preço da alimentação, da energia elétrica, da conta telefônica, do cafezinho da esquina e não vimos um “representante do povo” levantar a voz para defender a população dessas elevações.
Diante disso, chegamos a acreditar que os movimentos sociais são os únicos dentro desse processo que não visam unicamente a redução do preço de um único produto, em detrimento de dezenas de outros que comprometem em até 49,92% o salário dos trabalhadores, só com a cesta básica. Somados todos os gastos, pouco ou quase nada sobra da renda mensal para o trabalhador desfrutar com a sua família. Infelizmente, fica difícil dimensionar os ímpetos incontidos movimentados pela palavra “tarifa” e o que ela pode proporcionar em termos de retorno aos que se apegaram ao tema. O certo é que virou uma palavra mágica capaz de cobrir de simpatias os que a ela se aventuram.
Os movimentos sociais reconhecem a necessidade da luta contínua e se integra a ela, mas sabe que têm muito mais para se preocupar nesse universo de elevações de preços, além das tarifas dos coletivos. Não entendendo, no entanto, o tamanho do interesse pelo barulho dos motores dos coletivos. Pela quantidade de carbono lançado no ar ou pelo fascínio aos artefatos volumosos nas vias estreitas. Onde está a força real dos que se dizem defensores dos trabalhadores do Amazonas?
A Central Única dos Trabalhadores acredita que não podemos ter uma visão imediatista dos fatos fundamentada no direito de ir e vir a baixo custo, essa sim, é uma ação que transgride o próprio princípio da reciprocidade. Não existe justiça social se os trabalhadores não possuem salário digno, condições trabalhistas dignas, transportes baratos, limpos e ágeis, leis que atuem permanentemente em favor dos interesses dos trabalhadores.
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* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.