Quem nas últimas semanas esteve no Centro, caminhando por suas ruas históricas, deve ter notado que a beleza de seus prédios e toda a história de Manaus estão como um paciente em estado terminal, tamanho o abandono e caos presentes na região.
Parece uma zona sem lei, sem ordem, sem autoridade competente que coloque um basta no descaso com o lixo jogado nas ruas, obras, esgotos a céu aberto, mau cheiro em todos os lugares, camelôs que invadiram de vez as calçadas, calçadas tomadas por barracas, buracos nas vias, vendas de alimentos sem higiene e até “matança” de árvores centenárias.
Mas se olharmos um pouco atrás, ao passado, o abandono do Centro não é ao acaso e tem precedentes. Todas as autoridades e poderes públicos se mudaram do bairro histórico – Assembleia Legislativa do Estado, Prefeitura Municipal de Manaus, sedes dos governos –, ficando apenas algumas secretarias, como a de Estado de Cultura (SEC), administrando o pouco que resta da história e arquitetura de imóveis no Centro, como o Largo de São Sebastião, o Teatro Amazonas, o Palácio Rio Negro, a Vila Ninita.
Sem uma obrigação direta de cuidar do bairro em razão dos poderes ali constituídos, que se mudaram de lá, está evidente que não há obrigação com a população, que frequenta e mora no Centro. Aí sobra o desleixo, o descuido e sobram as ocupações irregulares, flanelinhas, poluição sonora e nem as árvores, os Benjaminzeiros, escaparam da decadência, sofrendo o impacto da pior forma, com a morte.
Vale lembrar que, além da história e dos prédios históricos, é no Centro que resistem os principais atrativos turísticos urbanos de Manaus, incluindo aí o Mercado Adolpho Lisboa, cuja obra está atrasada e seus permissionários eternamente em situação de improviso. A cidade precisa de um pulso forte para a solução desses problemas, que deve ser imediata e instantânea. Outra Manaus é possível, mas é preciso assumir a identidade do Centro de uma grande floresta tropical, pensar no futuro mais sustentável e digno. E agir, porque de braços cruzados não se chega a lugar nenhum.
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* Pauderney Avelino é deputado federal (DEM-AM).