Executiva Nacional da CUT, reunida em São Paulo nesse mês de setembro, aprovou a seguinte resolução sobre a atual conjuntura econômica mundial, da qual falaremos em dois artigos:
A crise internacional, que teve início nos EUA em 2008, continua sua trajetória de instabilidade econômica, particularmente, nos Estados Unidos, Europa e Japão e, consequentemente, está aprofundando o aumento do desemprego e da pobreza em todo o mundo.
No mesmo ritmo, a crise fortalece o mercado especulativo financeiro internacional, que através das políticas de apoio promovidas pelos governos, estão favorecendo o crescimento dos benefícios aos grandes bancos internacionais em detrimento dos salários e dos empregos diretos e indiretos de milhares de trabalhadores no mundo.
No amealhar dessa crise, persiste o discurso de solução baseado na relação dívida/PIB com políticas recessivas e aperto fiscal, o que por si só já reduz a capacidade de planejamento e ação dos Estados, aliado à redução dos gastos e a pressão pelas reformas previdenciárias e trabalhistas com arrocho salarial e diminuição dos investimentos em políticas públicas.
Para a Central Única dos Trabalhadores – CUT, a crise econômica, seja ela atual ou não, não se combate com ajuste fiscal, com privilégios à especulação, recessão e criminalização dos salários. Se até o momento a crise no Brasil se apresentou de forma menos intensa é porque está sendo enfrentada com investimentos, distribuição de renda, valorização do mercado interno e com geração de emprego e renda.
A CUT e os movimentos sociais sempre defenderam e defendem através de mobilização e pressão, a presença do Estado como indutor do desenvolvimento e diminuição da pobreza no Brasil. Mas, neste momento, andando na contramão, a política macroeconômica brasileira mantém as altas taxas de juros, o câmbio valorizado, com implementação de cortes nos gastos públicos e elevação do superávit primário. E tenta transformar o salário em vilão da inflação.
Para nós dos movimentos sindicais, ligados à CUT, o enfrentamento à crise se faz com política de valorização real do salário mínimo, fortalecimento das aposentadorias, aumento dos salários e geração de empregos; com a redução da jornada de trabalho sem redução de salários e da rotatividade no emprego; fortalecimento da agricultura familiar e Reforma Agrária; organização sindical no local de trabalho e combate às práticas anti-sindicais; promoção do trabalho decente com igualdade de oportunidades; respeito à Convenção 158 da OIT, que põe fim à demissão imotivada, e à convenção 151 que regulamenta a negociação coletiva no serviço público; ratificação da convenção 189 da OIT que trata dos direitos das trabalhadoras domésticas, com políticas públicas para o compartilhamento das responsabilidades familiares.
… Continua no próximo artigo:
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* Valdemir Santana é presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas.