“As épocas e os períodos de decadência na história da igreja sempre foram aqueles em que a pregação esteve em decadência”, Martyn Lloyd-Jones. Esse grande servo de Deus, considerado um dos maiores e mais fiéis pregadores do século XX em Londres, acertou em cheio ao constatar historicamente o que declarou acima.
Se avaliarmos honesta e sinceramente o presente momento da história da igreja, o lugar, o valor e a importância que têm sido dadas a pregação, concluiremos que estamos em decadência, pois, os cultos viraram shows para entreter e o critério para avaliar o êxito dos mesmos é o quanto eles foram agitados, interativos, com múltiplas participações especiais e um curtíssimo tempo dedicado à “pregação”.
O estilo de “pregador” engraçado e comediante, que transformou o púlpito e a plataforma em picadeiros e palanques, é o que agrada. A “pregação” que atrai é aquela que massageia o ego, insufla a vaidade, ilude com promessas de enriquecimento e garante que Deus está à disposição do homem para servi-lo, operando a seu bel prazer toda sorte de milagres.
Lamentavelmente, a genuína pregação que expõe a Palavra de Deus, que se recusa a impor sobre os textos bíblicos sentidos que não possuem, mas, que extrai dos mesmos as verdades que agradaram a Deus revelar, essa está em extinção, pois, além de dar muito trabalho e exigir conhecimento, faz pensar e refletir, inviabilizando a manipulação tão comum em nosso momento de profunda decadência.
O analfabetismo bíblico e teológico, facilmente constatado em simples conversas e também ouvindo os “pregadores” na televisão e rádio, evidenciam que o despreparo para tarefa tão nobre e a falta de vontade de expor a Bíblia Sagrada são uma realidade inquestionável. Evidenciam também que doutrinar o rebanho não é a meta da pregação e dos cultos, pois, quando verdadeiramente se expõe as doutrinas bíblicas, elas libertam da ignorância, esclarecem os incautos e acima de tudo, desmascaram líderes fraudulentos que torcem e usam de forma infame a Palavra de Deus para incutir medo, crendice e manter sob superstição ameaçadora os que por ventura insinuarem qualquer reação de discórdia.
No entanto, a leitura dos evangelhos e das correspondências dos apóstolos para as igrejas do primeiro século revelará o quanto Deus se importa com o ensino e a pregação da verdade revelada, para livrar a igreja do erro doutrinário que a desvia; para conduzi-la ao caráter cristão que gera pessoas éticas e moralmente íntegras na vida pessoal, familiar e pública; para instalar o amor cuja fonte derradeira é o próprio Senhor Jesus Cristo, de modo que o socorro mútuo nos relacionamentos com o próximo, seja ele quem for, se torne realidade constante.
Sim, o segredo é resgatar o único método bíblico de pregação, divinamente aprovada, isto é, a pregação expositiva, pois, quando a Palavra de Deus é exposta com fidelidade e autoridade, Deus se manifesta operando salvação, tão necessária ao homem caído em pecado e por isso mesmo perdido.
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Jorge Max é pastor da Igreja Batista Constantinópolis, em Educandos.