13/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

ZFM: Falando sério (IX)

Publicado em 14 de agosto, 2011

Lisboa – Tablets, motherboards, roteadores e similares, pelo destino que lhes dá o governo federal, ficam longe da Zona Franca de Manaus. Infraestrutura agônica serve de desculpa para o gesto de enfraquecerem um dos principais polos industriais do país, estabelecido, estrategicamente, em plena floresta amazônica.

Vejo que a questão tem sido tratada com leveza. Sem profundidade. Com leviandade. Ao invés de buscarem soluções verdadeiras para o impasse que se avizinha, preferem saídas fictícias que lhes sirvam de arma para disputar a opinião pública no curto prazo.

É indigente o argumento de que Collor não deveria ter feito a Lei de Informática ou de que Fernando Henrique não a deveria ter revisado. Este não fez mais do que buscar a convivência, protetora do PIM, entre nossos polos principais e o fenômeno da convergência tecnológica que já se anunciava.

Se querem ficar na simploriedade, lá permaneçam! Não posso e nem devo dar-me a esse luxo perverso, sequer por um lapso de tempo. Se quisesse entrar nesse jogo menor, colocaria duas indagações: alguém, armado de metralhadora, forçou a presidente Dilma Rousseff a assinar a Medida Provisória 534, concedendo incentivos para a fabricação de tablets fora de Manaus? E se ela tem tão forte comprometimento conosco, por que não anula a própria Lei de Informática?

Não! Não trilharei tais descaminhos. Levo o Amazonas a sério. Respeito seu povo. Não zombo da inteligência das pessoas.

Poderosas carreiras políticas se alimentaram da propaganda paternalista, jogando população supostamente indefesa contra o resto do País. Por essa “tese”, o modelo não teria nenhum problema, tudo estaria correndo às mil maravilhas e os entraves as nossas vidas estariam nos burocratas de Brasília, no Mauro Costa e no etc. Até parece que a quadrilha que assaltava e, literalmente, incendiava a Suframa fazia bem ao Distrito Industrial.

A isso se alia a visão reacionária de elites que não acompanham com lucidez o que se passa em Brasília. Perdem-se em chavões e palavras de ordem vazios. Claro está que a Suframa precisa passar por reformas profundas que a revitalizem e por renovação radical em seus quadros diretivos.

E, ainda por cima, defrontamo-nos com a cruel realidade de que, em 44 anos de existência da Zona Franca de Manaus, não fomos capazes de reduzir a dependência dos incentivos fiscais. E nem de criar alternativas ao modelo que nos tem sustentado a todos: se, por desgraça, o PIM fosse a pique, o que faríamos nós para alimentar 3.5 milhões de seres humanos que o Amazonas abriga?

Não é hora de desfaçatez. Nunca deveria ser hora de desfaçatez. Penduricalhos, medidas pontuais e exotismos como os tablets movidos a controle remoto desservem à causa que precisamos saber defender.

Mais do que nunca, o Amazonas precisa da força e da honestidade dos seus líderes. Jamais o contrário!

*Diplomata

Twitter: @ArturVirgilioAM

 

Veja mais notícias em Colunas
Autor
Arthur Virgílio Neto

* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.