Lisboa – Tablets, motherboards, roteadores e similares, pelo destino que lhes dá o governo federal, ficam longe da Zona Franca de Manaus. Infraestrutura agônica serve de desculpa para o gesto de enfraquecerem um dos principais polos industriais do país, estabelecido, estrategicamente, em plena floresta amazônica.
Vejo que a questão tem sido tratada com leveza. Sem profundidade. Com leviandade. Ao invés de buscarem soluções verdadeiras para o impasse que se avizinha, preferem saídas fictícias que lhes sirvam de arma para disputar a opinião pública no curto prazo.
É indigente o argumento de que Collor não deveria ter feito a Lei de Informática ou de que Fernando Henrique não a deveria ter revisado. Este não fez mais do que buscar a convivência, protetora do PIM, entre nossos polos principais e o fenômeno da convergência tecnológica que já se anunciava.
Se querem ficar na simploriedade, lá permaneçam! Não posso e nem devo dar-me a esse luxo perverso, sequer por um lapso de tempo. Se quisesse entrar nesse jogo menor, colocaria duas indagações: alguém, armado de metralhadora, forçou a presidente Dilma Rousseff a assinar a Medida Provisória 534, concedendo incentivos para a fabricação de tablets fora de Manaus? E se ela tem tão forte comprometimento conosco, por que não anula a própria Lei de Informática?
Não! Não trilharei tais descaminhos. Levo o Amazonas a sério. Respeito seu povo. Não zombo da inteligência das pessoas.
Poderosas carreiras políticas se alimentaram da propaganda paternalista, jogando população supostamente indefesa contra o resto do País. Por essa “tese”, o modelo não teria nenhum problema, tudo estaria correndo às mil maravilhas e os entraves as nossas vidas estariam nos burocratas de Brasília, no Mauro Costa e no etc. Até parece que a quadrilha que assaltava e, literalmente, incendiava a Suframa fazia bem ao Distrito Industrial.
A isso se alia a visão reacionária de elites que não acompanham com lucidez o que se passa em Brasília. Perdem-se em chavões e palavras de ordem vazios. Claro está que a Suframa precisa passar por reformas profundas que a revitalizem e por renovação radical em seus quadros diretivos.
E, ainda por cima, defrontamo-nos com a cruel realidade de que, em 44 anos de existência da Zona Franca de Manaus, não fomos capazes de reduzir a dependência dos incentivos fiscais. E nem de criar alternativas ao modelo que nos tem sustentado a todos: se, por desgraça, o PIM fosse a pique, o que faríamos nós para alimentar 3.5 milhões de seres humanos que o Amazonas abriga?
Não é hora de desfaçatez. Nunca deveria ser hora de desfaçatez. Penduricalhos, medidas pontuais e exotismos como os tablets movidos a controle remoto desservem à causa que precisamos saber defender.
Mais do que nunca, o Amazonas precisa da força e da honestidade dos seus líderes. Jamais o contrário!
*Diplomata
Twitter: @ArturVirgilioAM
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus