Recebi, quinta-feira, em tocante cerimônia, iniciativa do vereador Paulo De Carli, a Medalha de Ouro Cidade de Manaus. Estou grato e comovido. Vi e ouvi mais que o suficiente para reforçar minha entrega à defesa de Manaus e do Amazonas, com a convicção de que essa é minha missão e meu destino.
Registro a homenagem feita por meu partido, o PSDB, que enviou a Manaus expressiva representação, com o ex-governador e ex-ministro José Serra, candidato presidencial detentor de 40 milhões de votos; deputados, como o líder na Câmara Federal, Duarte Nogueira (SP); senadores, incluindo o líder no Senado, Álvaro Dias (PR); o governador de Roraima, José de Anchieta Jr., e o vice-governador do Pará, Helenilson Cunha Pontes, entre tantos outros.
Companheiros queridos, como o ex-governador e senador Aécio Neves, enviaram-me homenagens escritas, igualmente relevantes. Numa delas, o Presidente Fernando Henrique Cardoso, figura pública que mais admiro, tocou em pontos que mexeram profundamente comigo.
Divergi do Presidente. José Serra, ministro do Planejamento, pasta à qual a Suframa estava ligada, nomeara Mauro Costa superintendente do órgão, para mudar a triste rotina de escândalos, maquiagem e até um incêndio criminoso, que ceifou o arquivo da instituição. Li nos jornais que, pressionado pelas forças que se alimentavam da situação anterior, Fernando Henrique pensava em substituir Mauro Costa. Fui a Palácio. Disse-lhe, pessoalmente, eu que conheci o superintendente apenas após a posse, que se permitisse tal retrocesso criaria sério problema em nosso relacionamento pessoal.
Mauro Costa foi mantido. O saneamento continuou. Estabeleceram-se as bases para o que chamo de presente-passado da Suframa, com recorde de emprego e faturamento acima dos US$ 35 bilhões.
A carta do Presidente Fernando Henrique, na cerimônia de quinta-feira, nesse momento grave em que precisamos construir o presente-futuro da Suframa, diante dos desafios das MPs 517 e 534, do incentivo fiscal inconstitucional oferecido à produção de tablets pelo Governo de São Paulo e da veloz convergência tecnológica, tocou-me muito.
Fico chocado com a falta de discrepância no governo atual. Ministros são demitidos por escândalos, jamais por divergir deste ou daquele rumo administrativo. Pratica-se, ao contrário, a política do “sim senhor” ou, para ser preciso, do “sim senhora”.
Fernando Henrique Cardoso caminha para conquistar em vida uma unanimidade que julgava possível apenas na História. A própria presidente Dilma Housseff reconheceu publicamente a importância do edifício econômico que ele construiu.
Divergir nos momentos mais graves, portanto, como demonstrou Fernando Henrique na carinhosa carta que enviou à cerimônia da Câmara Municipal, é também papel patriótico e dever cidadão.
Agradeço aos vereadores. Quando a plateia levantou e aplaudiu demorada e insistentemente minha chegada à tribuna, fortaleci a convicção que jamais me abandonou: reuniram forças e recursos jamais vistos para tentar matar-me politicamente, mas esqueceram que quem tem alma não morre.
Estou mais vivo que nunca. Obrigado Manaus.
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* Arthur Virgílio Neto é diplomata, ex-líder do PSDB no Senado e prefeito de Manaus