Carlos Alexandre, Parintins – O Caprichoso reuniu gerações no boi de rua 2011. Milhares de pessoas caminharam pelo reduto tradicional do touro negro cantando toadas 2011 e antológicas, desafiando a contrariada. Os irmãos Alex e Adelino Aguiar participaram da passeata satirizando o apresentador e o levantador de toadas do contrário. Alex se vestiu de Avatar, com uma prótese dentária que imitava o sorriso do levantador da cidade de Juruti. Já Adelino levava um bolo de dez anos vestido de menino maluquinho, personagem de um cartunista brasileiro.
A Boi de Rua saiu da Francesa, caminhou pelas ruas João Meireles, Herbert de Azevedo, Sá Peixoto, no bairro do Esconde, berço do touro Negro, e avenida Amazonas, até a praça da Catedral.
Iza Gonzaga, filha de Luiz Gonzaga, um dos fundadores do bumbá, se emocionou ao ver o boi Caprichoso brincar na frente da casa dela. “Não dá para não se emocionar ao ver o meu boi Caprichoso e ouvir a toada que lembra o meu pai”, disse ela.
A “mãe do Caprichoso” Odinéia Andrade disse que esse é um momento onde o Caprichoso visita aquelas pessoas que não podem mais assistir a festa e é conduzido com a força da juventude que toma conta do evento. “O Caprichoso é isso. Consegue agregar as pessoas que ajudaram a construir o boi e aqueles que assumem essa festa”, disse ela.
A confraria Calçada da Fama estampou no peito as imagens de Aderaldo Dutra e Eduardo Cruz torcedores do Caprichoso que faleceram recentemente. Eles também imitaram os gestos de Lioca e brincaram como lamparineiros na festa do Caprichoso pelas ruas de Parintins.
Ex-itens lembraram dos velhos tempos de tablado, como Karina Cid, ex-sinhazinha, e a ex-porta Bandeira (hoje o item é chamado porta-estandarte) Leni Paiva Fernandes.
Quando entrou no Esconde, dona Dinha e dona Marilda Cruz abraçaram a presidente do Boi Caprichoso, Márcia Baranda, e agradeceram pelo momento oportunizado pelo touro Negro. Dona Marilda deixou as lágrimas rolarem no rosto e lembrou do marido, o marujeiro e ex-presidente do bumbá, Elson Fonseca. Outros personagens do Caprichoso foram lembrados como Zé Caiá, e ainda in memorian Rubem dos Santos e o marujeiro Emanuel.
Márcia Baranda afirma que o boi de rua imita os gestos de Roque Cid, que desde 1913 saia com touro negro pelas ruas de Parintins. O boi de rua encerrou com uma grande concentração da massa azulada na praça da Catedral de Nossa Senhora do Carmo, com o ensaio que teve a participação dos itens oficiais, o amo Edilson Santana, o levantador de toadas David Assayag e o apresentador Júnior Paulain.
Veja mais notícias em Parintins