Marcos Santos, Manaus (14/06/2011) – Os aeroportuários de Manaus decidiram aderir à greve nacional contra a privatização da Infraero. Em assembleia realizada na manhã de hoje, de 9h às 10h, no aeroporto Eduardo Gomes, com presença de 400 dos cerca de 1.000 funcionários da estatal no Estado, a decisão foi tomada por unanimidade. O resultado foi revelado pelo secretário-geral do Sindicato Nacional dos Aeroportuários, Célio Alberto Barros, enviado a Manaus para participar do ato. Ele conversou com o blog:
Blog do Marcos Santos – Qual foi a decisão que os aeroportuários de Manaus tomaram, quanto ao indicativo de greve na Infraero?
Célio Alberto Barros – Decidiram aderir, por unanimidade. Vamos fazer a greve dentro dos aeroportos indicados para privatização.
Blog – Trata-se de um movimento nacional. Como estão as coisas nos outros aeroportos?
Célio – Terça-feira esse mesmo tipo de assembleia foi feita em Guarulhos (SP); quarta em Viracopos (Campinas, SP); quinta em Brasília e hoje em Manaus. Quinta-feira, estaremos em Confins (Belo Horizonte, MG), e, na próxima semana, no aeroporto do Galeão (RJ).
Blog – Quando acontece a greve?
Célio – A CUT (Central Única dos Trabalhadores) vai puxar a data. O presidente Arthur Henrique está dizendo no site da CUT que “A privatização dos aeroportos é uma ideia que nasce falida” (http://www.cut.org.br/acontece/20816/a-privatizacao-dos-aeroportos-e-uma-ideia-que-nasce-falida). O PT e outros partidos de esquerda entendem que a Infraero não pode ser privatizada.
Blog – Como estão os aeroportos do Norte?
Célio – São todos deficitários. O Eduardo Gomes é o único superavitário, por causa da carga. O acidente no porto (Chibatão) mostra como o aeroporto é importante na cadeia produtiva do Amazonas. Imagine tirar isso da mão do Estado? Os cinco principais aeroportos do País – e o Governo quer privatizar 10 – representam R$ 2,1 bilhões dos R$ 3,3 bilhões arrecadados pela Infraero. Belém, Macapá, Rio Branco, Porto Velho, Tefé, todos dependem desse subsídio cruzado. Há ascensão das classes C e D, fruto da redistribuição de renda promovida pelo Governo, que está deixando de ir para as rodoviárias e vindo para dentro dos aeroportos. Isso representa um conglomerado maior de demanda para a infraestrutura. Tempo, conhecimento logístico e boa vontade nós temos.
Blog – Não há o risco de a greve representar um entrave a mais para o Brasil?
Célio – A sociedade civil tem que se perguntar qual é o papel da Infraero? Ela vem exercendo o seu papel de forma salutar. Só no Amazonas, a Infraero vai investir mais de R$ 400 milhões este ano. A segunda melhor engenharia do Brasil está dentro da Infraero, que sabe muito bem como se adequar às necessidades mais diversas do setor. Existe no Congresso Nacional uma Frente Parlamentar contra a privatização da Infraero, já com 120 membros.
Blog – Como foi a assembleia em Manaus?
Célio – Participaram cerca de 400 dos 1.000 trabalhadores que servem à Infraero no Amazonas. A decisão de aderir à greve foi tomada por unanimidade.