Mouchão Tonel 3-4 é um baita vinho. A garrafa custa em torno de R$ 500. Essa preciosidade surgiu quando o enólogo da Herdade do Mouchão, em Portugal, notou que os vinhos dos tonéis 3 e 4, feitos de carvalho português, macacauba e mogno, tinham um sabor melhor. Sempre que surge uma safra especial, como a de 2005, o vinho desses barris é engarrafado à parte. Um empresário de Manaus foi a São Paulo, entrou na barraca do emigrante Ramon, pediu caixas e caixas desse vinho, o melhor presunto cru ibérico, queijo holandês… e aplicou um calote.
Por que não revelo aqui e agora o nome dele? Ainda não sei. Ramon, sério e ético, foi apresentado a ele por Jassa, há quase 40 anos amigo pessoal e cabeleireiro do apresentador Sílvio Santos. Confiou e acredita piamente que o sujeito vai pagar a conta. Depois, e só depois, promete vir a Manaus “promover” o nome do caloteiro.
Minha revolta é porque soube, por um amigo de Ramon, das notícias desse empresário. Ele foi visto jogando em Las Vegas, bem acompanhado, bebendo altos vinhos, desfilando de Limusine. Todo mundo tem o direito de usar o dinheiro do jeito que melhor lhe aprouver, mas, antes, que pague suas contas.
Ramon é um homem que poderia viver da renda das suas bancas e da competência dos seus funcionários, mas acorda todo dia, às 4h, para abrir esses estabelecimentos e tira grande parte da renda de uma salada famosa no Mercadão. Como chega cedo, ele vai de banca em banca comprando cada uma verdura, usa o melhor azeite e tem uma freguesia cativa, que leva a salada para casa. Dar calote é algo terrível. Enganar um trabalhador humilde e esforçado desse jeito é pior ainda.
Torço para que o sujeito não pague. Quero ver a cara dele quando todo mundo souber que anda sujando o nome de Manaus por aí.
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