O professor Renan Freitas Pinto é um daqueles heróis de capa e espada da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Fui seu aluno. Tornei-me próximo. Um dia, após uma viagem por São Paulo, trouxe “A regra do jogo”, de Cláudio Abramo, uma espécie de bíblia para novos jornalistas. “Encontrei num sebo”, disse-me, “e lembrei de você” (um dia eu conto sobre os livros que ganhei de Narciso Lobo, Milton Hatoum e a bibliografia oferecida pelo professor Valmir Albuquerque, entre outros).
Corri para casa. Devorei o livro. Que maravilha. Entre outras coisas aprendi que a ética do jornalista não pode ser diferente da do marceneiro. Tal qual a cadeira, que não pode derrubar quem sente nela, a notícia precisa estar de pé no dia seguinte. E por aí vai.
Pois bem, Renan Freitas Pinto vai falar, nesta quinta (04/03), no Museu da Amazônia (Musa), sobre como a obra de filósofos como o alemão Martin Heidegger (1889-1976) serviria para apontar novos caminhos teóricos para pensar a Amazônia.
Sociólogo e cientista social, Renan afirma: “Vivemos um momento novo de interpretação da Amazônia. A discussão de questões relacionadas ao meio ambiente e às culturas tradicionais, por exemplo, tem muito a se beneficiar da base teórica oferecida por diferentes filósofos”, enfatiza.
Para Renan, durante muito tempo aqueles que se dispuseram a estudar a Amazônia e seus autores se depararam com um algo semelhante a um “vazio teórico”. “Muitas vezes lemos autores como Euclides da Cunha mas não esclarecemos sua obra de maneira satisfatória”, exemplifica.
O pesquisador afirma que a situação começou a mudar e que algumas universidades abordam autores como Heidegger em seus cursos de pós-graduação. Apontar os caminhos dessa mudança é o propósito da palestra dele.
Além de analisar trechos da obra de Heidegger, o pesquisador falará sobre o trabalho do filósofo alemão Hans-Georg Gadamer (1900-2002) e do francês Paul Ricoeur (1913-2005). “É claro que há outros autores importantes. Falarei sobre esses três, todos fortes críticos da ciência que acreditavam que há outros conhecimentos, como a arte e a filosofia, que conseguem explicar as situações”, afirma.
Quando alguém vai aos filósofos para esclarecer um tema do presente é como se abrisse um raio de sol nas discussões mais cabeludas. Renan tem esse dom. Precisa falar mais.
SERVIÇO
Palestra: Amazônia, uma abordagem filosófica
Palestrante: Ernesto Renan Melo de Freitas Pinto/ Ufam
Data: 04 de março
Horário: 17h
Local: Avenida Constelação 16, Conjunto Morada do Sol, Aleixo
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