Delegado Juan Valério, após trocar tiros com assaltantes: “A gente tem treinamento para confrontar bandido”. Veja vídeo

O delegado titular da DEHS, Juan Valério, é o único da Região Norte a ter treinamento no Core do Rio de Janeiro, preparado para o confronto com criminosos e contenção para segurança de cidadãos. Fotos: Divulgação

Uma operação de campana que seria de rotina acabou interrompida na última quinta-feira (11), quando policiais e o delegado titular da Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS), Juan Valério, precisaram agir em auxílio a uma abordagem a dois infratores armados no bairro Nossa Senhora de Fátima, na zona Leste.

Ao perceber uma dupla armada, policiais do 27° (Distrito Integrado de Polícia) fizeram a interceptação dos suspeitos que fugiram trocando tiros. Como estava mais próximo, o delegado Juan Valério saiu em apoio à perseguição, conseguindo acertar um dos infratores e alcançá-lo pelas ruas do conjunto.

Perseguição

“Saí em apoio principalmente porque o suspeito efetuou disparos em via pública e era necessário fazer a contenção imediata, até para não ter terceiros feridos. Durante a perseguição ele se desfez da arma, estava ferido e o segui com sucesso”, explicou Juan Valério, nesta entrevista ao Portal Marcos Santos.

Experiência, treinamento e vocação são a trinca de eficiência do delegado, que está na polícia há 7 anos, é formado em Direito e é um dos chamados Falcões – número 117 – de um dos grupos de elite da Polícia Civil do Brasil, com referência nacional e mundial, a Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), do Rio de Janeiro. Ele já foi delegado em Boa Vista do Ramos, nos 23 e 9 DIPs, atuou no Fera e no Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO). Como explica, a “paixão pela polícia começou como estagiário de Direito, ainda na faculdade”.

Delegado durante ocorrência onde deu apoio e atirou para conter assaltante. Foto: Reprodução

Operações Especiais

O Core é uma unidade de operações especiais destinada a intervenção policial em ocorrências que exijam treinamento para ações de complexidade e risco, como combate urbano e progressão em áreas de favela, dominadas pelo tráfico de drogas. Juan Valério é o único delegado da Região Norte a ter formação no Core.

Nesta entrevista, o delegado titular da Homicídios desde 2015, que iniciou na Civil como estagiário, em 2001, e atuou como advogado e foi agente do Programa de Proteção a Testemunhas (Provita), conta um pouco mais sobre a ocorrência de tiroteio que terminou com sucesso e fala mais do trabalho de polícia na cidade:

São comuns situações como a da perseguição, quando uma equipe está de campana?

Não são comuns, mas podem ocorrer. Por isso sempre quando vamos para uma campana levamos policiais em maior número e várias viaturas. A ocorrência acabou bem e foi uma coincidência estar na área para dar o apoio necessário.

Exatamente como ocorreu a intervenção?

Vimos a viatura tentando interceptar uma moto que tinha dois elementos. Eu estava mais próximo e saí em apoio à equipe que estava no lugar, fazendo a contenção e evitando que cidadãos pudessem ser feridos. Corri atrás do suspeito e consegui detê-lo, sem causar dano colateral a moradores. A área por onde ocorreu a perseguição não estava movimentada. O apoio foi suficiente e imediatamente a Polícia Militar chegou dando mais suporte. O suspeito baleado foi socorrido rapidamente também.

Como agir em situações onde há tiros disparados em via pública?

As pessoas ficam preocupadas porque foram tiros em via pública, mas eu estava consciente do que estava fazendo justamente para não colocar em risco à população e às equipes, e a mim mesmo. Para onde o infrator correu não tinha muita gente e minha especialidade, no Core, é de combate urbano. Com treinamento à exaustão e técnica reduzimos ao máximo o dano colateral, como um cidadão ser atingido. O principal é ter preparo técnico e operacional. Trabalhamos muito situações semelhantes para não colocar terceiros e nem policiais em situações arriscadas.

Você é um dos falcões do Core, do Rio de Janeiro. O que esse treinamento ajuda no dia a dia em Manaus?

Permite uma experiência ampliada de casos de confronto. Já estive também no grupo Fera e no DRCO, e nos dois tive confronto com troca de tiros. Sei como agir nessas ocorrências para não ter nenhum dano. Também tenho experiência em confronto em área de mata, contra traficantes, especialmente. O grupo de operação especial, o Core, tem a especialidade do combate urbano, que foi o curso que fiz. Treinamos muito durante 3 meses, intensivo e integral, exaustivamente. E essa experiência conta no dia a dia porque nos ajuda a tomar decisões, a agir e a manter o controle. Somos condicionados a fazer certos procedimentos e operações, mesmo com a tensão do momento.

O combate urbano em Manaus não é tão comum…

Na cidade temos visto mais as execuções de pessoas que pertencem a facções criminosas ou adversários, por disputa de local de tráfico, ou mesmo dentro da própria facção, por dívidas e guerra. Os combates urbanos são casos mais isolados. As policias Civil e Militar tem conseguido um resultado positivo com prisões e sem baixas.

 

Logo após a perseguição, que incluía risco de você ser baleado, surgiram memes nos grupos e redes com uma frase que você usou para se referir a bandidos ano passado, os chamando de “arrombados”. O que acha dos memes do tipo?

Usei uma palavra de impacto, muito utilizada no meio operacional, que dependendo da conotação pode ser positiva ou negativa. Acho os memes engraçados tanto pela criatividade quanto pela proximidade que geram com a população, que tem empatia com o nosso trabalho. Eles expressam uma vibração do resultado positivo da polícia e sinto que apoiam o que fazemos. A frase que usei é uma forma de mostrar para quem está do lado do crime que aqui tem polícia e respondemos na proporção que somos acionados. Respondemos às ameaças à nossa integridade ou de outros cidadãos à altura.

Você é titular da DEHS, mas é comum vê-lo em outras operações de combate ao crime organizado e ao tráfico…

Em razão do treinamento que tenho, das técnicas e experiência adquirida sou chamado para incursões e operações especiais, quando se monta uma força-tarefa. Trabalhei na equipe da Estratégia Estadual de Segurança Pública na Fronteira (Esfron), em Tabatinga, tanto para apreensão de drogas quanto para procurar traficantes, com os quais ocorreram confrontos. Em 2016 fizemos buscas ao delegado Garcez Bastos, desaparecido em Coari, e passamos vários dias na mata. Encontramos traficantes colombianos e na troca de tiros dois deles foram mortos. Na época estava como diretor do DRCO. No local apreendemos diversas armas como fuzis e pistolas.

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